Brasil busca terceira indicação consecutiva ao Oscar em 2027
Após dois anos seguidos com filmes brasileiros indicados ao Oscar, a pergunta que ecoa no meio cinematográfico nacional é inevitável: quais são as chances do Brasil repetir o feito em 2027? O sucesso recente de Ainda estou aqui e O agente secreto gerou expectativas, mas especialistas alertam que ainda é cedo para qualquer prognóstico definitivo.
Festivais internacionais como termômetro
A resposta mais sincera, embora frustrante para muitos, é que o cenário só começará a se definir a partir de 9 de abril, quando serão divulgados os selecionados para o prestigiado Festival de Cannes. O evento francês, que acontece entre 12 e 23 de maio, tem se tornado cada vez mais decisivo para prever indicações ao Oscar, especialmente na categoria de melhor filme internacional.
Nos últimos dois anos, quatro dos cinco indicados em cada edição foram exibidos em Cannes, muitos deles premiados no festival. As exceções foram justamente os filmes brasileiros: Ainda estou aqui em 2025 e A voz de Hind Rajab em 2026, ambos premiados no Festival de Veneza, que ocorre entre 2 e 23 de setembro e anuncia sua seleção na última semana de julho.
Importância estratégica dos festivais
Além da visibilidade, esses festivais internacionais desempenham papel crucial na busca por distribuição norte-americana e financiamento de campanhas de premiação. Em 2025, O agente secreto recebeu elogios em Cannes e foi adquirido pela Neon, distribuidora americana com histórico de sucesso na corrida ao Oscar.
Essa lógica dos festivais também influencia a escolha do representante brasileiro na categoria, decisão tomada pela Academia Brasileira de Cinema. No entanto, o processo não é infalível, como demonstrado em 2019, quando a organização optou por A vida invisível em vez de Bacurau, vencedor do prêmio do Júri em Cannes.
Histórico desafiador
Antes de alimentar expectativas, é preciso considerar o histórico: o Brasil nunca conseguiu indicações ao Oscar em três anos consecutivos. Na categoria de filme internacional especificamente, a tarefa é ainda mais árdua. Nos últimos dez anos, apenas a Alemanha alcançou três indicações seguidas, entre 2023 e 2025.
Produções nacionais em destaque
Apesar das incertezas, algumas produções brasileiras de 2027 já chamam atenção:
- Feito pipa: Dirigido por Allan Deberton com Lázaro Ramos no elenco, venceu dois prêmios no Festival de Berlim na mostra Generation.
- Geni e o zepelim: Adaptação da música de Chico Buarque por Anna Muylaert, com Seu Jorge no elenco.
- Escola sem muros: Nova produção do diretor Cao Hamburger.
- Leila e a noite: Produzido por Kleber Mendonça Filho.
- Vicentina pede desculpas: Dirigido por Gabriel Martins.
- No jardim do ogro: Estrelado por Alice Braga.
O caminho para o Oscar 2027 está aberto, mas exigirá não apenas qualidade artística, mas também estratégia de distribuição internacional e timing preciso nos principais festivais mundiais.



