Casal adepto ao cuckold fala sobre prazer de ver parceiro com outra pessoa
Casal adepto ao cuckold fala sobre prazer e consentimento

Em uma sociedade marcada por padrões e expectativas, o campo amoroso ainda segue roteiros tradicionais para muitos. No entanto, para alguns casais, a intimidade foge do convencional. Práticas como o cuckold, termo que descreve o prazer de ver o parceiro com outra pessoa, existem e são realidade, embora ainda sejam pouco discutidas por receio de preconceito.

No Dia do Corno, celebrado neste sábado (25), o g1 conversou com Igor (nome fictício), um homem de Sorocaba (SP) que vive essa prática com o marido há três anos. Ele conta que sempre foi curioso e, após navegar na internet, passou a conhecer novas formas de prazer. "Eu descobri que o sentimento de posse em cima de outra pessoa era uma besteira", afirma.

Para Igor, o que é certo ou errado em um relacionamento cabe apenas ao casal. O cuckold é uma forma de compartilhar desejos e sentimentos com outras pessoas de forma consensual. "A traição é quando você não comunica seus desejos. Hoje, vejo que é algo super divertido", diz.

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Diferença entre relacionamento aberto e cuckold

Igor explica que relacionamento aberto e cuckold são diferentes: o primeiro envolve estruturas sociopolíticas, enquanto o segundo é um fetiche. "Se relacionar com outras pessoas é inofensivo e instiga psicologicamente e sexualmente", pontua.

Ele ressalta que não deve haver tabus para falar sobre o assunto. "É a liberdade de cada pessoa. No fim, é tudo sobre acordo com quem você está fazendo esse acordo", completa.

Como funciona o fetiche

O cuckold pode ser aplicado de diversas formas. Há quem goste apenas de observar, mas também quem sinta um "perigo psicológico". Igor, por exemplo, gosta de compartilhar o parceiro como se fosse um "brinquedo". "É como se meu parceiro fosse meu brinquedo", compartilha.

Ele afirma que é necessário ter autoconfiança e autoconhecimento, especialmente em uma relação cuckold, que envolve terceiros. "No fim do dia, eu sei que ele vai voltar para casa comigo. Se não voltar, tudo bem, porque tenho outras prioridades", diz.

Preconceito e kink shaming

Apesar do preconceito, Igor nunca passou por situações desconfortáveis, pois compartilha o fetiche apenas com pessoas próximas. No entanto, vê kink shaming nas redes sociais. "Acredito que ainda é um perigo 'vestir a camisa' quanto a isso, não quero ser rechaçado em uma sociedade ignorante", opina.

No relacionamento atual, a abertura para o cuckold surgiu naturalmente. O marido, que já tinha perfil de conteúdo adulto, "encarou" a situação de forma agradável. "É o relacionamento mais saudável que já tive. Quando o conheci, já fui explícito sobre o que gosto", revela.

Visão da sexóloga

A sexóloga Thaiz Gatti, de Itapetininga (SP), afirma que o cuckold pode ser um tema trazido em terapia. "Na sexologia, o ponto central é não julgar. É preciso entender se há consentimento claro entre as partes", explica.

Ela destaca que, em relacionamentos heterossexuais, a ideia costuma ser introduzida pelo homem. "Já recebi casos em que, depois da relação, a mulher se envolve emocionalmente e não se sente mais confortável, trazendo transtorno", alega.

Thaiz finaliza: "A visão não é unânime. Padrões não se encaixam em nossa sociedade, principalmente em famílias cristãs. A partir do momento que você entende a autocompaixão, reconstrói novas crenças e pode ter liberdade de expressão".

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