Pesca artesanal do mapará inicia em Alenquer com destaque para mulheres e sustentabilidade
Pesca do mapará em Alenquer tem início com mulheres e sustentabilidade

Pesca artesanal do mapará inicia em Alenquer com destaque para mulheres e sustentabilidade

A tradicional pesca artesanal do mapará teve início nas águas da comunidade Urucurituba, no município de Alenquer, localizado no oeste do estado do Pará. Esta atividade, que ocorre no amanhecer logo após o término do período de defeso, mobiliza centenas de pescadores e constitui a base fundamental da economia local. O evento não apenas preserva as ricas tradições ribeirinhas, mas também reflete uma nova dinâmica social, marcada pela inclusão crescente das mulheres na captura direta dos peixes.

Estratégia e sustentabilidade na pesca do mapará

Para garantir a preservação da espécie e a valorização do produto, a comunidade possui um acordo de pesca bem estruturado e cuidadosamente planejado. A abertura da temporada não ocorre imediatamente após o fim do defeso oficial, seguindo uma decisão estratégica do grupo. Ernani Simões, vice-presidente da Comunidade Urucurituba, explica detalhadamente essa abordagem: "A gente estende sempre mais pra frente por conta da quantidade de peixe de outro lago, a gente deixa o peixe pra pescar só depois do dia 15 pra pegar um preço melhor."

Além do controle rigoroso das datas, o método de captura é estritamente regulamentado para evitar o esgotamento dos estoques naturais. "As nossas canoas aqui elas são só a remo, não pesca motorizado. São cinco panos de malhadeira cada canoa", complementa Ernani, destacando o compromisso com práticas sustentáveis que asseguram a continuidade da pesca ao longo dos anos.

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O espaço conquistado pelas mulheres na pesca artesanal

Um dos grandes destaques da configuração atual da pesca do mapará é a presença feminina, que tem crescido significativamente. Inicialmente, as mulheres trabalhavam entre si, mas provaram sua eficiência e habilidade, passando a integrar as equipes principais ao lado dos homens. A pescadora Aurilete Sousa relembra como essa transição ocorreu na prática: "Elas pescavam era mulher com mulher. Aí depois que os homens viram que elas também tinham o jeito de pescar, aí eles pegaram, já botaram ela na proa da canoa..."

Essa mudança trouxe um impacto direto e positivo na economia doméstica das famílias ribeirinhas. Aurilete complementa: "Hoje, na nossa comunidade, a maioria pesca com seus esposos. Então a renda é bem melhor, porque não se divide, já vai só pra uma casa, é só pra uma família, aí fica melhor." A integração das mulheres não só fortalece a renda familiar, mas também promove maior igualdade e reconhecimento dentro da atividade pesqueira.

Impacto econômico e social na região de Alenquer

A fartura das redes garante o sustento durante boa parte do ano e movimenta toda a cadeia produtiva da região de Alenquer. Ernani Simões reforça o peso dessa tradição para a comunidade: "A pesca do mapará, ela é de suma importância para a comunidade, não só para a nossa comunidade, mas para a comunidade da Ituqui também, que faz parte da pesca junto conosco. Então é isso. Essa renda que vem para as famílias, ela é de suma importância para a pesca aqui no nosso município."

A estratégia adotada não apenas assegura a sobrevivência da espécie nos lagos de Alenquer, mas também, ao centralizar a produção no núcleo familiar, garante a autonomia financeira das populações ribeirinhas a longo prazo. Esta prática sustentável e inclusiva demonstra como tradição e inovação podem caminhar juntas para beneficiar tanto o meio ambiente quanto a sociedade local.

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