Observação e fotografia de aves crescem e atraem apaixonados pela natureza no interior de SP
Observação de aves atrai apaixonados pela natureza no interior de SP

Observação e fotografia de aves crescem e atraem apaixonados pela natureza no interior de SP

A observação e a fotografia de aves, conhecida popularmente como 'passarinhar', têm conquistado cada vez mais entusiastas no interior do estado de São Paulo, especialmente nas regiões de São José do Rio Preto e Araçatuba. Esta atividade, que mistura lazer, contato direto com a natureza e produção de dados valiosos, está se tornando um fenômeno local, atraindo pessoas de todas as idades e profissões.

Prática combina lazer e ciência cidadã

Em Araçatuba, onde já foram registradas impressionantes 280 espécies de pássaros, áreas de mata e reservas ambientais se transformaram em verdadeiros pontos de encontro para os observadores. Na reserva ambiental Três Meninos, localizada em Guararapes, o empresário José Feliciano Pereira Júnior e o biólogo Marcelo Oliveira percorrem trilhas em busca de registros fotográficos e sonoros das aves. 'O que a gente busca é um reencontro com a natureza, resgatar um lado que todos temos, mas que as pessoas nem sempre têm a oportunidade de viver', afirma Feliciano em entrevista à TV TEM.

Equipados com roupas camufladas, botas, chapéus, câmeras fotográficas, binóculos e gravadores de áudio, os observadores enfrentam trajetos de aproximadamente sete quilômetros, incluindo a famosa Trilha das Onças. A atenção é constante, principalmente voltada para os galhos das árvores. 'Como costumo olhar sempre para cima para procurar as aves, uso as botas para não me preocupar com o que tiver no chão. A atenção geralmente está nos galhos', explica Oliveira.

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Técnicas e espécies observadas

Marcelo destaca uma das técnicas mais utilizadas na observação: o ponto fixo. Esta metodologia consiste em permanecer imóvel em um local específico por um período que varia de cinco a quinze minutos, permitindo ampliar a percepção de movimentos no campo de visão periférico. Muitas vezes, o primeiro sinal da presença de uma ave é o canto, seguido apenas depois pelo registro visual. A paciência, portanto, se revela uma virtude essencial para conseguir o clique perfeito.

Entre as espécies observadas na região noroeste de São Paulo estão o tico-tico, o beija-flor roxo, o falcão-de-coleira e aves mais raras, como um tipo de urutau registrado pela reportagem da TV TEM durante uma das saídas de campo. Esta diversidade de espécies atrai tanto iniciantes quanto observadores experientes, todos em busca de momentos únicos de conexão com a fauna local.

Plataformas digitais e contribuição científica

Os registros obtidos pelos observadores são frequentemente publicados em plataformas digitais como o WikiAves, um site interativo voltado para a comunidade de observadores no Brasil. Esta plataforma reúne e organiza fotografias, gravações de cantos e informações detalhadas sobre espécies, além de facilitar a comunicação entre os usuários. O objetivo principal é apoiar e divulgar a atividade, promovendo a chamada ciência cidadã.

Com a colaboração ativa dos usuários, o banco de dados do WikiAves se tornou uma das maiores bases sobre aves brasileiras disponíveis na internet. Feliciano, que começou na atividade há cerca de quatro anos, já acumula mais de 3 mil fotos e gravações. Seu interesse surgiu com o incentivo da filha, a bióloga Mariana Pereira, que destacou o potencial científico dos registros. 'Ele foi se interessando tanto que comprou uma câmera e está aí até hoje fazendo vários registros. Quase todas as espécies da região meu pai já registrou', conta Mariana com orgulho.

Rota das Corujas e dicas para iniciantes

Em São José do Rio Preto, o fotógrafo, professor e biólogo Rodrigo Verona se dedica ao registro de aves, com um foco especial em corujas. Ele organiza mensalmente a chamada Rota das Corujas, um passeio em áreas rurais entre os municípios de São José do Rio Preto e Guapiaçu. 'Fazemos uma vez por mês um passeio rural para fotografia de aves e, depois, tomamos café da manhã colonial', revela Verona em entrevista ao g1.

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Os encontros reúnem interessados em fotografia de vida selvagem e duram cerca de quatro horas, geralmente ocorrendo aos domingos pela manhã. O trajeto é cuidadosamente planejado com base em pontos de observação e locais onde há ninhos. 'No caminho acaba tendo outros animais também, dependendo da sorte, mas o foco são as aves', explica Verona.

Entre os registros que mais chamaram a atenção está o de uma coruja-buraqueira mascarada, considerada difícil de ser observada. 'Sou biólogo. Fico empolgado para fotografar espécies legais, principalmente beija-flores e corujas. Sei as espécies, os hábitos, curiosidades, mas não cheguei ao ponto de catalogar', conta Verona.

Para quem deseja começar na prática, Rodrigo recomenda estudar previamente os locais, conhecer a fauna e a flora da região e escolher horários estratégicos, como o amanhecer e o fim da tarde, quando há maior atividade das aves. Ele também orienta o uso de proteção contra o sol, repelente, hidratação e, principalmente, paciência. Estas dicas simples podem transformar uma simples caminhada em uma experiência inesquecível de contato com a natureza.