Higroma em cães: 'bolinha' no cotovelo pode causar complicações graves se não tratada
Higroma em cães: 'bolinha' no cotovelo exige atenção

Higroma em cães: entenda a 'bolinha' no cotovelo que exige cuidados

Cuidar de um cão vai muito além de oferecer ração e brincadeiras; é uma responsabilidade que demanda dedicação e atenção constante. Sidneia Isabel da Silva Jesus, moradora de Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo, sabe bem disso. Nos últimos anos, ela não mediu esforços para cuidar de Boris, seu cachorro sem raça definida, que enfrentou diversos problemas de saúde, incluindo o higroma – uma "bolinha" que pode surgir no cotovelo de alguns cães e, se não tratada, levar a complicações sérias.

O que é o higroma e como ele se forma

Conforme explica Murilo Vieira Landim, médico veterinário especialista em ortopedia em Presidente Prudente, o higroma é uma bolsa de líquido, conhecida como seroma, que se desenvolve sob a pele, geralmente sobre proeminências ósseas. Essa condição é uma resposta do organismo a traumas repetitivos ou pressão constante. "A região do cotovelo é a mais afetada porque é um ponto de apoio natural do cão quando ele deita, principalmente em superfícies duras. Com o tempo, esse impacto repetido leva à formação dessa bolsa líquida como uma forma de 'proteção'", detalhou o especialista ao g1.

Identificação e tratamento: a experiência de Boris

Sidneia percebeu o problema ao notar um aumento no cotovelo de Boris, que ela descreveu como uma "bolinha". Após alguns dias sem redução, ela procurou uma médica veterinária, que alertou para várias possibilidades, incluindo um tumor, causando apreensão. Buscando uma segunda opinião, Sidneia consultou o dermatologista veterinário Luis Felipe Zulim, que avaliou Boris e descartou a hipótese de tumor, diagnosticando higroma. "Ele disse que não precisaria se preocupar quanto a tumor, pois não tinha aspecto, era 'molinho'", lembrou Sidneia.

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O tratamento envolveu proteger a área com um colete protetor de cotovelos, administrar medicações anti-inflamatórias e realizar duas drenagens. Além disso, adaptações foram feitas em casa, como a colocação de tapetes antiderrapantes para minimizar o atrito com o chão. Sidneia observou sinais de incômodo em Boris, como dificuldade ocasional de apoiar a pata, mas o tratamento, que durou cerca de um mês, foi bem-sucedido. "Você detecta ao menor sinal que algo causa desconforto! Tocar o corpo do pet verificando anomalias ajuda muito", destacou ela, reforçando a importância de seguir as orientações veterinárias.

Riscos e fatores de predisposição

Apesar de geralmente simples e de tratamento rápido, o higroma pode evoluir e causar complicações como infecção, ulceração, dor e dificuldade de cicatrização. Murilo Landim lista os principais fatores de risco:

  • Cães de porte grande ou gigante, que dispersam mais peso sobre as articulações;
  • Ambientes com superfícies duras, como cimento ou piso frio;
  • Pets com baixo escore de massa muscular ou muito magros;
  • Animais jovens de crescimento rápido;
  • Cães idosos com dificuldade de locomoção;
  • Presença de doenças ortopédicas, como dor no quadril, que aumentam a sobrecarga nos cotovelos.

O especialista ressalta que a maioria dos casos ocorre em cães jovens, entre 6 e 18 meses, de raças grandes como Labrador, Golden Retriever, Pastor Alemão, Rottweiler e Dogue Alemão, mas pode afetar qualquer cão exposto a pisos rígidos por longos períodos.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico do higroma em estágios iniciais é clínico, baseado na localização típica, consistência do conteúdo líquido e histórico do animal. Exames complementares, como punção, ultrassom ou radiografia, podem ser usados em casos de dúvida ou complicações. O tratamento varia conforme o estágio e inclui:

  1. Ajustes ambientais, como uso de camas macias e acolchoadas;
  2. Proteção da região com cotoveleiras;
  3. Controle de peso;
  4. Drenagem, apenas em casos contaminados;
  5. Medicações para inflamação ou infecção.

"O ponto mais importante é corrigir a causa, senão o higroma volta. Muitos casos melhoram apenas com mudanças no ambiente", orientou Landim. A cirurgia é indicada apenas quando o tratamento conservador falha, mas tem alto índice de complicações.

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Para prevenção, o veterinário recomenda:

  • Oferecer camas macias e acolchoadas;
  • Evitar que o cão deite diretamente em piso duro;
  • Manter o peso adequado;
  • Tratar precocemente problemas ortopédicos;
  • Usar protetores de cotovelo em cães de risco;
  • Observar qualquer aumento de volume precocemente.

Perspectiva dermatológica e cuidados com a pele

Luis Felipe Zulim, dermatologista veterinário, explica que, do ponto de vista dermatológico, a preocupação surge quando o acúmulo de líquido compromete a pele, tornando-a mais fina e sensível. "Como o higroma acumula líquido, esse líquido pode infeccionar e aí 'fistular', ou seja, a pele se rompe para drenar o líquido, e fica uma porta de entrada para mais infecção e inflamação", alertou. Nesses casos, é essencial uma rotina de limpeza com produtos orientados por um veterinário e impedir que o animal lamba a região.

Para diferenciar o higroma de outras condições, como neoplasias, exames como citologia ou biópsia podem ser realizados. Após o tratamento, o higroma pode retornar, exigindo atenção contínua dos tutores. "Alguns cães precisarão usar o protetor de cotovelo constantemente, e é crucial manter o peso adequado e incentivar que deitem em superfícies macias", finalizou Zulim.

A história de Boris serve como um alerta para todos os tutores: a observação atenta e a responsabilidade são fundamentais para garantir o bem-estar dos pets. Sidneia, que abriu mão de planos pessoais para investir na saúde do cachorro, reflete: "É meu milagre vivo! Eles têm sentimentos, eles entendem tudo. É recompensador!", disse, aliviada ao ver Boris recuperado e cheio de energia.