Gavião-pombo-pequeno, espécie vulnerável, é filmado em comportamento raro no solo da Mata Atlântica
Gavião vulnerável filmado em cena rara no solo da Mata Atlântica

Registro inédito captura gavião ameaçado em cena rara no solo da Mata Atlântica

Um vídeo extraordinário tem chamado a atenção de ornitólogos e entusiastas de observação de aves em todo o Brasil. Um gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus), espécie classificada como vulnerável à extinção e conhecida por seu comportamento extremamente discreto, foi filmado no chão de uma área preservada da Mata Atlântica em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro.

Comportamento tranquilo surpreende observador

Para Peter Estermann, autor do registro visual, o animal demonstrou uma segurança notável no ambiente florestal. "Nunca havíamos testemunhado essa ave, que é bastante rara e ameaçada de extinção, tão tranquila no solo. Geralmente, ela é avistada em voo ou pousada nas copas das árvores", relata o observador. Segundo ele, o gavião havia descido para caçar e, em seguida, apresentou um comportamento curioso, interagindo com uma folha seca, o que indica sua familiaridade com aquele habitat denso e preservado.

Especialista explica hábitos da espécie

O ornitólogo Fernando Igor esclarece que, embora o gavião-pombo-pequeno seja pouco estudado devido à sua natureza reclusa, caçar no chão não é anormal para a espécie. "Na verdade, esses gaviões são aves bem discretas, por isso não sabemos muito sobre eles. Mas é comum que cacem principalmente no solo", explica o especialista. Ele alerta, no entanto, que o habitat natural da espécie é estritamente florestal, não sendo típico encontrá-la em áreas abertas, como praias.

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Características e distribuição do gavião-pombo-pequeno

Endêmica do Brasil, esta ave possui entre 43 e 52 centímetros de comprimento, com cabeça e partes inferiores do corpo de cor branco puro, o que a torna facilmente visível à distância e pode levar à confusão com pombos durante o voo. Sua dieta é composta principalmente de pequenos invertebrados, como:

  • Insetos (gafanhotos, lagartas e besouros)
  • Aranhas
  • Pequenos lagartos, rãs e cobras

A espécie ocorre desde o nível do mar até aproximadamente 900 metros de altitude, preferindo regiões primitivas da Mata Atlântica. No Paraná, é considerada rara, com pouquíssimos registros. Ainda não há informações detalhadas sobre sua biologia reprodutiva, mas acredita-se que construa ninhos com galhos e ramos secos nas copas das árvores.

Este registro raro reforça a importância da preservação de habitats como a Mata Atlântica para a conservação de espécies vulneráveis, oferecendo insights valiosos sobre o comportamento de aves pouco conhecidas pela ciência.

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