Pesquisadores registram caça e patrulha de tubarões em Fernando de Noronha
Caça e patrulha de tubarões flagradas em Noronha

Pesquisadores flagram caça e patrulha de tubarões em Fernando de Noronha

Pesquisadores registraram imagens impressionantes de tubarões em ações de patrulha e caça na Baía do Sueste, em Fernando de Noronha. O trabalho faz parte do Projeto Tubarões e Raias de Noronha, que monitora áreas de berçário do tubarão-limão (Negaprion brevirostris) e do tubarão-bico-fino (Carcharhinus perezi), também conhecido como tubarão-cabeça-de-cesto. O objetivo principal é entender o comportamento desses animais e reforçar ações de conservação para proteger as espécies.

Comportamento dos tubarões em foco

A coordenadora do projeto, Bianca Rangel, explicou que os registros ajudam a identificar o que os tubarões estão fazendo em cada situação. A equipe de pesquisa tenta diferenciar quando os animais estão caçando, se reproduzindo ou apenas nadando sem buscar alimento ou parceiro. Os estudiosos também flagraram filhotes caçando, usando a mesma estratégia dos adultos, como ficar no meio de cardumes de sardinha. "Eles caçam da mesma forma desde que nascem. Isso é incrível", afirmou Bianca, que também é pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

Tentativas de canibalismo observadas

Os pesquisadores apontam tentativas frequentes de tubarões adultos em atacar filhotes na Baía do Sueste. As observações indicam que o canibalismo, comportamento já descrito para o tubarão-limão, pode estar acontecendo com mais intensidade nesse ponto da ilha. "Observamos que os adultos vão até áreas bem rasas, principalmente na Baía do Sueste, para tentar caçar os filhotes. Ainda não sabemos por que esse comportamento ocorre, mas estamos coletando dados para entender melhor essa característica da espécie", disse a pesquisadora.

Expedição e monitoramento detalhado

Durante 14 dias de monitoramento, entre janeiro e fevereiro deste ano, a equipe capturou 27 filhotes de tubarão-limão e 12 de tubarão-bico-fino, na primeira expedição de estudo em 2026. Os filhotes são capturados para marcação com microchip, coleta de amostras de sangue e tecido dérmico, além de medição e pesagem. "Esses dados são muito importantes para acompanharmos o estado de saúde dos filhotes. Queremos entender como a crescente urbanização de Noronha e o contato constante com pessoas podem afetar a vida desses animais, prevendo medidas para a conservação das espécies estudadas", afirmou Bianca Rangel.

O monitoramento detalhado começou na temporada de nascimento de 2023/2024 e inclui observações em campo, capturas científicas, uso de drones e registros feitos por moradores e visitantes. Até agora, 180 filhotes das duas espécies já foram capturados e marcados. Os resultados preliminares mostram que os filhotes aparecem praticamente ao redor de toda a ilha, com duas áreas se destacando como berçários naturais principais: a Baía do Sueste e a Praia do Porto. Outros locais com registros frequentes incluem as praias do Atalaia e do Leão.

Mudanças no comportamento dos filhotes

As imagens feitas com drones mostram mudanças rápidas no comportamento dos filhotes. Nos primeiros dias de vida, eles fogem quando pessoas se aproximam. "Observamos que, nos primeiros dias, eles fogem mais rapidamente. Depois, parecem se acostumar e se aproximam mais das pessoas", explicou Bianca. Apesar da aproximação, não há registros de ataques sem provocação. O único caso ocorreu quando uma turista tentou pegar um filhote na beira da praia e acabou mordida. A pesquisa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).