Câmeras de segurança registraram o momento em que o padrasto Luan Henrique Silva de Almeida, conhecido como 'Fuzil', saiu de um apartamento carregando o enteado Arthur Kenay, de oito anos, desacordado nos braços. O menino morreu em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cubatão, na noite de sexta-feira (1), com lesões compatíveis com maus-tratos.
Menos de 24 horas após ser apontado como principal suspeito, Luan foi morto a tiros no bairro Ribeirópolis, em Praia Grande, no sábado (2). Ele chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado à UPA Samambaia, mas durante o trajeto, homens armados abordaram e invadiram a ambulância, disparando contra ele. O suspeito não resistiu aos ferimentos e morreu. A Polícia Civil investiga o caso e tenta identificar o autor dos disparos.
Histórico de violência
De acordo com a Polícia Civil, Luan Henrique tinha um histórico agressivo e uma ficha criminal extensa. Ele já havia sido condenado por roubo em 2012. Seis anos depois, em 2018, foi preso em flagrante por violência doméstica após agredir a companheira, que na época estava grávida, em São Vicente. A mulher ficou com hematomas nos olhos e no corpo e registrou um boletim de ocorrência por agressão, ameaça e injúria. No entanto, ela retirou a queixa meses depois, quando se reconciliou com o acusado.
'Fuzil' também foi investigado por envolvimento no assassinato do investigador Evandir Pedro de Alcântara, em 6 de julho de 2014, em Praia Grande.
Agressões contra o enteado
Segundo apuração da TV Tribuna, afiliada da Globo, 'Fuzil' já havia sido denunciado pelo próprio filho, que estuda na mesma escola do então enteado Arthur e pediu ajuda à equipe escolar. A direção da unidade entrou em contato com o homem, que admitiu dar 'tapas' para corrigir o menino. Os profissionais orientaram o pai e acionaram o Conselho Tutelar.
O delegado Lucas Santana dos Santos afirmou que a Polícia Civil concluiu que 'Fuzil' foi o autor das agressões que mataram Arthur, pois ele havia ficado aproximadamente uma hora e meia sozinho com o menino antes de sair com ele desacordado. 'A gente colheu informações que a criança tinha medo dele, que ele era agressivo, que a criança não gostava de ficar com ele', explicou o delegado. A ficha médica e o exame necroscópico apontaram que a morte de Arthur foi causada por agressões na região do abdômen, que geraram hemorragia interna.
Morte de Arthur Kenay
Arthur Kenay Andrade de Oliveira, de 8 anos, deu entrada em uma UPA em Cubatão com diversas lesões. Segundo o boletim de ocorrência, os ferimentos eram compatíveis com maus-tratos. O garoto chegou em parada cardiorrespiratória à unidade de saúde no bairro Jardim Casqueiro. A Secretaria de Saúde de Cubatão informou que os médicos tentaram a reanimação, mas a vítima não resistiu e teve a morte constatada no local.
Durante o atendimento, a equipe médica identificou lesões de unha no pescoço e lábio do menino, além de hematomas e manchas roxas em áreas como abdômen, tórax, dorso, membros inferiores e nádegas, compatíveis com indícios de maus-tratos. A Polícia Militar foi acionada.



