Irmã de vítima relata horror com execução de casal por policial militar no Espírito Santo
Em um desabafo carregado de revolta, Francisca das Chagas Dias Viana, 37 anos, denunciou a execução de sua irmã, Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, e da companheira dela, Daniele Toneto, 45 anos, por um cabo da Polícia Militar em Cariacica, na Grande Vitória. O crime ocorreu no dia 8 de abril, e a irmã das vítimas destacou a omissão de outros seis agentes que presenciaram os assassinatos à queima-roupa sem intervir.
"Ele matou e ainda teve plateia": a crítica à inação policial
Francisca das Chagas expressou indignação com a postura dos policiais presentes, afirmando: "Só ficaram olhando. Ele (cabo do Vale) matou e ainda teve plateia". Ela cobra justiça e responsabilização por todos os envolvidos, incluindo os que não agiram para impedir o crime. "Eu quero que investiguem e que eles pensem na dor que os familiares estão sentindo", disse, ressaltando que os agentes são treinados para proteger, mas falharam tragicamente.
Apesar dos pedidos por punição, a irmã teme que o caso fique impune, observando que os policiais afastados continuam recebendo salários. "O que mais dói é que eu não acredito que eles vão ser punidos", lamentou, acrescentando que gostaria que os acusados fossem julgados pela Justiça comum, não apenas em âmbito militar.
Medo e deslocamento: impactos familiares pós-crime
O assassinato gerou medo profundo na família, com Francisca das Chagas considerando deixar o Espírito Santo para proteger seus entes. "Meu filho está com medo, ele não quer ir para a escola. Ele me perguntou: 'se um policial matou a tia, por que não mataria a gente?'", relatou. Essa sensação de insegurança reflete o trauma causado pela violência, que abalou a comunidade local.
Quem eram as vítimas: planos interrompidos pela tragédia
Francisca Chaguiana e Daniele Toneto formavam um casal há sete anos, com planos de adotar uma criança e investir em um pequeno negócio próprio. Elas vendiam molho de pimenta, biscoitos e bolos caseiros, produzidos em casa e entregues de moto. "Elas estavam felizes, fazendo planos, trabalhando com o que gostavam", contou a irmã, destacando que Francisca tinha iniciado um curso de gastronomia para expandir o empreendimento.
Francisca Chaguiana havia se mudado do Maranhão para o Espírito Santo em 2018 para ajudar a irmã grávida e era conhecida por seu carinho com os sobrinhos, incluindo um menino autista de 8 anos. "Ela praticamente criou minha filha mais velha no Maranhão", afirmou Francisca das Chagas, que também elogiou Daniele como uma pessoa bondosa e emotiva.
Detalhes do crime: última ligação e contexto do conflito
Minutos antes da execução, Francisca Chaguiana fez uma ligação para o 190, número de emergência da Polícia Militar, às 9h46 do dia 8 de abril. Às 10h03, o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale chegou ao local com outros policiais e efetuou os disparos. As investigações sugerem que o crime surgiu de um desentendimento entre as vítimas e a ex-mulher do PM, possivelmente relacionado a um ar-condicionado e disputas sobre energia elétrica.
A ex-esposa do policial alegou que o casal ofendeu seu filho autista, mas a irmã da vítima contesta essa versão, afirmando que Francisca e Daniele sempre trataram bem crianças, incluindo seu próprio filho autista. "Eu não acredito, não. Pelo jeito que elas tratavam meu filho", disse, reforçando a bondade das mulheres.
Resposta institucional: prisões, suspensões e processos
Após o crime, o cabo do Vale foi preso preventivamente e a PM abriu um processo demissionário contra ele. Em 16 de abril, a Justiça do Espírito Santo determinou a suspensão dos seis policiais que presenciaram a execução sem agir. A Polícia Militar afirmou que três viaturas estavam no local, mas não detalhou se foram acionadas pela vítima ou pelo próprio cabo.
O comandante-geral da PM, coronel Ríodo Lopes Rubim, declarou que o inquérito militar deve ser concluído em 20 dias, mas não há previsão para o processo demissionário. Enquanto isso, a família das vítimas clama por justiça e responsabilização, esperando que o caso não caia no esquecimento.
Conclusão: um apelo por mudanças e accountability
Este caso expõe falhas graves na atuação policial e gera debates sobre impunidade e segurança pública. A dor de Francisca das Chagas ecoa como um alerta para a necessidade de transparência e justiça em casos de violência estatal. A comunidade aguarda desfecho que traga algum alívio às famílias afetadas e medidas para prevenir futuras tragédias.



