Confissão do crime
Wesley Sousa Ribeiro, de 31 anos, confessou nesta quarta-feira (6) ter assassinado a companheira Thalita de Arantes Lima, de 41 anos, motorista de ônibus, em São José dos Campos (SP). A confirmação foi feita pelo delegado Neimar Camargo Mendes, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade, em entrevista ao repórter Pedro Melo, da TV Vanguarda. O corpo da vítima foi encontrado na noite de segunda-feira (4), enrolado em um cobertor, dentro da residência do casal, localizada no bairro Majestic, zona leste da cidade.
Detalhes da investigação
Segundo o delegado, Thalita foi morta com 13 golpes de faca, apresentando sinais de defesa. A polícia descobriu que a vítima vivia um relacionamento tóxico, o que foi crucial para identificar o principal suspeito. “Desde o primeiro momento, nossa equipe esteve no local. No dia seguinte, ao conversar com o médico legista, ele confirmou 13 lesões de arma branca, que hoje sabemos ser uma faca, com sinais de defesa. Intensificamos a investigação, inicialmente por homicídio, e monitoramos o suspeito, que havia ido para Itanhaém e depois para o Rio de Janeiro”, narrou Mendes.
O delegado acrescentou: “Conseguimos todas as informações desse relacionamento tóxico que ela vivia com o companheiro, o que nos auxiliou na investigação. Localizamos ele em Resende (RJ), negociamos sua apresentação, e ele veio até Aparecida (SP), onde efetuamos a prisão. A prisão foi inicialmente por violência doméstica. Pelo feminicídio, representamos pela prisão temporária e aguardamos a manifestação do juiz.”
Inicialmente, Wesley negou o crime, mas durante o interrogatório desta quarta-feira confessou o assassinato. “Ontem, informalmente, ele negou totalmente a prática do feminicídio, mas hoje, no interrogatório, acabou confessando. Havia várias inconsistências no depoimento de ontem”, completou o delegado.
Histórico de violência
De acordo com um boletim de ocorrência registrado por Thalita em maio do ano passado, ela havia retomado o relacionamento com Wesley cerca de 20 dias antes da denúncia. A vítima relatou que o companheiro era extremamente ciumento e, durante uma saída, ele pegou a chave do carro dela e a deixou sozinha. Thalita acionou a polícia, mas foi informada de que nada poderia ser feito naquele momento. Depois, ela enviou mensagens pedindo a chave para voltar para casa.
O boletim ainda aponta que, ao chegar em casa, Wesley pulou o portão, arrombou a porta, agrediu Thalita e a trancou na churrasqueira, no fundo da casa. A vítima gritou por socorro e foi ajudada por uma vizinha. Após a agressão, o suspeito fugiu e quebrou a maçaneta do carro dela.
Localização e prisão
O corpo de Thalita foi encontrado na noite de segunda-feira (4), enrolado em um cobertor, dentro de sua casa no bairro Majestic. Uma irmã da vítima havia registrado boletim de ocorrência de desaparecimento. Na noite de terça-feira (5), a polícia recebeu uma denúncia de que Wesley estava na rodoviária de Aparecida, chegando de Resende (RJ), onde foi abordado e preso.
O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São José dos Campos. A defesa do preso ainda não se manifestou. O Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba lamentou a morte de Thalita, destacando sua trajetória de dedicação, respeito e proximidade com a comunidade. Ela começou como cobradora e tornou-se motorista de ônibus, sendo querida por colegas e passageiros.



