Desembargadora alerta: 'Homem ainda vê mulher como propriedade' em meio a recorde de feminicídios
Feminicídios batem recorde: 1.470 casos em 2025 no Brasil

Brasil atinge triste recorde com 1.470 feminicídios registrados em 2025

Os dados mais recentes do Ministério da Justiça e da Segurança Pública revelam uma realidade alarmante: o Brasil registrou 1.470 feminicídios durante o ano de 2025, o que equivale a quatro mulheres assassinadas por dia. Este número supera os registros de 2024, estabelecendo um novo e trágico recorde nacional que coloca o país em estado de alerta máximo.

São Paulo lidera ranking preocupante de violência contra mulheres

O estado de São Paulo aparece na liderança deste ranking sombrio, concentrando o maior número de casos em todo o território nacional. A desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivana David, analisou os números durante participação no programa Hora News e destacou que este é um desafio complexo que envolve tanto o sistema de segurança quanto o sistema de Justiça brasileiro.

Nova legislação não reflete realidade da violência no país

A magistrada lembrou que, no final de 2025, foi sancionada uma lei importante que transformou o feminicídio em crime autônomo, deixando de ser uma simples qualificadora do homicídio. A nova legislação estabelece pena mínima de 20 anos e máxima de 40 anos de reclusão.

No entanto, Ivana David faz uma ressalva preocupante: "O que a gente percebe pelos números, e ouso dizer que esses números nem são os números que refletem a realidade do nosso país diante de muitos dados que se perdem ou, pior, dados que vão se modificando".

Estatísticas ocultam dimensão real do problema

A desembargadora apresentou exemplos concretos que demonstram como as estatísticas oficiais subestimam a gravidade da situação. "Em 2023 nós tivemos 250 mil ocorrências envolvendo não só o homicídio, mas lesão grave, perseguição, todas as outras condutas criminosas, sempre envolvendo a figura da mulher", revelou.

Ela enfatizou que esses números alarmantes não representam a realidade completa do que o país enfrenta atualmente, sugerindo que o problema pode ser ainda mais extenso do que os registros indicam.

Cultura machista perpetua violência contra mulheres

Ivana David foi categórica ao analisar as raízes do problema: "A cultura do machismo ainda influencia muito na perpetuação desse tipo de violência. O homem ainda vê a mulher como propriedade, como um objeto".

Esta percepção de posse sobre as mulheres, segundo a especialista, continua sendo um dos principais fatores que alimentam os casos de feminicídio em todo o país.

Educação como caminho fundamental para mudança

Diante deste cenário preocupante, a desembargadora aponta que só existe um caminho viável para melhorar a situação: investimento massivo em educação.

"O que chama a nossa atenção é que todo homem, esse que pratica conduta criminosa, ele teve uma mãe. E por isso que quando a gente vai debater quais seriam os caminhos, como é que nós vamos mudar essa situação, sem sombra de dúvidas o começo de tudo isso é educação", defendeu.

Ela argumenta que é necessário impor valores de igualdade entre homens e mulheres desde a infância, criando bases sólidas para uma sociedade mais justa e menos violenta.

Desafio estrutural que exige ações coordenadas

O combate ao feminicídio no Brasil se apresenta como um desafio multifacetado que exige:

  • Melhoria na coleta e análise de dados sobre violência contra mulheres
  • Fortalecimento das políticas públicas de proteção às vítimas
  • Capacitação dos agentes de segurança e justiça
  • Campanhas educativas de conscientização sobre igualdade de gênero
  • Mudança cultural profunda na forma como a sociedade enxerga as relações entre homens e mulheres

Enquanto os números continuarem a crescer, especialistas alertam que o país precisa acelerar suas respostas a esta crise humanitária que ceifa vidas diariamente.