Recontagem de votos muda composição da Assembleia Legislativa
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul após uma recontagem de votos determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a saída do cargo, ele deixa de ter imunidade parlamentar e poderá ser preso para cumprir pena de mais de 15 anos em regime fechado. A mudança ocorreu após o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) recalcular os votos das eleições de 2022.
A recontagem foi feita depois que o TSE anulou os votos dos ex-candidatos do Partido Liberal (PL) Loester Carlos Gomes de Sousa, conhecido como Ultruts, e da esposa dele, Raquel Lisboa Alves Sousa, por irregularidades nos gastos de campanha. Com a nova contagem, Roberto Razuk Filho perdeu a vaga por ter sido o deputado eleito com menor número de votos. A cadeira ficará com João César Mato Grosso Pereira, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), primeiro suplente da legenda. Ele recebeu 11.650 votos nas eleições de 2022. A posse de João César Mato Grosso está marcada para esta sexta-feira (22), às 14h, na Assembleia Legislativa.
Com a recontagem, o PL passou de sete para seis deputados estaduais. Já o PSDB ampliou a bancada de três para quatro parlamentares.
Condenação e possibilidade de prisão
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Roberto Razuk Filho e familiares são investigados por comandar o jogo do bicho em Dourados. O ex-deputado foi condenado por organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho. A pena é de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão em regime fechado, além de cinco meses de detenção em regime aberto. Até perder o mandato, Roberto Razuk Filho respondia ao processo em liberdade, pois a Constituição prevê que deputados estaduais só podem ser presos em flagrante por crime inafiançável. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a perda do mandato encerra a imunidade parlamentar, mas não provoca prisão automática.
Operação Sucessione
A condenação de Roberto Razuk Filho ocorreu durante a Operação Sucessione, que investigou disputas pelo controle do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério Público, homens ligados ao então deputado participaram de três roubos em Campo Grande, em outubro de 2023. As vítimas eram funcionários de um grupo rival envolvido com apostas ilegais. De acordo com as investigações, uma casa no Jardim Monte Castelo era usada como base da organização criminosa. No local, foram apreendidas mais de 700 máquinas usadas em apostas do jogo do bicho. Na sentença, o juiz José Henrique Castelfranco afirmou que o grupo tentava ocupar espaços deixados após a Operação Omertá, que desarticulou outra organização investigada por explorar jogos ilegais em Mato Grosso do Sul.
Nova denúncia e pedido de bloqueio
A Operação Sucessione também resultou em uma segunda denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual. Segundo o Gaeco, documentos, celulares, computadores e depoimentos indicam que familiares de Roberto Razuk Filho ocupavam funções estratégicas na organização. O grupo é investigado por crimes como lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar, corrupção e violação de sigilo funcional. Durante as buscas, investigadores apreenderam R$ 274 mil, mais de mil euros e planilhas que indicariam faturamento mensal de pelo menos R$ 600 mil com o jogo do bicho em cidades de Mato Grosso do Sul. Com base nas investigações, o Ministério Público pediu o bloqueio de R$ 36 milhões da família Razuk. A primeira sentença da Operação Sucessione também condenou outras dez pessoas apontadas como integrantes do grupo. Todos estão presos. Ainda não há decisão sobre a segunda denúncia. Os irmãos de Neno Razuk seguem presos. Já o pai dele responde ao processo em liberdade por causa da idade. Todos os investigados negam as acusações.



