Condenado a 27 anos por feminicídio no Maranhão
Condenado a 27 anos por feminicídio no MA

O Tribunal do Júri da Comarca de Maracaçumé, no Maranhão, condenou nesta quarta-feira (21) o réu Márcio Rene Oliveira de Sousa a 27 anos e 8 meses de prisão. Ele foi considerado culpado pelo feminicídio de sua ex-companheira, Paula Machado Alves, pela tentativa de homicídio contra Joaby Sarges Nunes e por ocultação de cadáver.

A pena deverá ser cumprida em regime inicialmente fechado, na Unidade Prisional de Ressocialização de Governador Nunes Freire. Os jurados aceitaram as teses apresentadas pelo promotor de Justiça Igor Adriano Trinta Marques, reconhecendo a prática de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, além das qualificadoras apontadas pelo Ministério Público do Maranhão.

Detalhes do crime

O crime ocorreu por volta das 23h do dia 24 de agosto de 2024, em Centro Novo do Maranhão. Segundo a denúncia, Márcio não aceitava o fim do relacionamento com Paula. Na noite do crime, ele perseguiu a vítima e seu amigo Joaby, que estavam em uma motocicleta. Durante a perseguição, Márcio jogou o carro que dirigia, um Chevrolet Classic, contra a motocicleta, causando a queda de ambos.

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Em seguida, ele desceu do veículo armado com uma faca e golpeou Paula várias vezes, mesmo após pedidos de clemência. Depois, tentou matar Joaby com golpes de faca, com o objetivo de eliminar a principal testemunha. Joaby conseguiu fugir e pedir ajuda, evitando que o homicídio fosse consumado.

Ocultacão do corpo e provas

Após o crime, Márcio escondeu o corpo de Paula em um poço para dificultar as investigações. O corpo foi encontrado posteriormente pelas forças de segurança. As provas reunidas incluíram depoimentos de testemunhas, vestígios biológicos no carro do acusado e laudos periciais compatíveis com a versão do Ministério Público.

Durante o julgamento, o promotor Igor Adriano Trinta Marques destacou a brutalidade do crime: “Dentre as centenas de júris em que já atuei, este se mostrou um dos mais cruéis pela forma como o crime foi cometido. As fotografias constantes nos autos causam profunda repulsa. Inclusive, deixei de exibir aos jurados imagens do corpo da vítima dentro do poço diante do elevado grau de violência e brutalidade praticadas”.

Repercussão e sentença

O julgamento ocorreu no Fórum da Comarca de Maracaçumé e gerou comoção. Integrantes do movimento “Levante Feminista”, de Centro Novo do Maranhão, acompanharam toda a sessão em apoio à memória da vítima e ao combate à violência contra a mulher. A sentença determinou que a pena comece a ser cumprida de forma provisória, e o réu não poderá recorrer em liberdade. A prisão foi mantida devido à gravidade dos crimes e à necessidade de garantir a ordem pública.

O promotor afirmou ainda que o caso representa mais um episódio de violência motivada pela não aceitação do fim de um relacionamento e defendeu o enfrentamento permanente ao feminicídio e à violência de gênero.

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