PM influenciador preso por suspeita de tortura vendia cursos de combate urbano em Curitiba
PM influenciador preso vendia cursos de combate urbano em Curitiba

PM influenciador digital preso por suspeita de tortura comercializava cursos de combate urbano

Marcionilio Sancho Cambuhy Junior, de 44 anos, conhecido nas redes sociais como Sancho Loko, foi preso preventivamente na última terça-feira (7) durante operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. O policial militar, que acumula aproximadamente 270 mil seguidores em plataformas digitais, é investigado por suposta prática de crimes como tortura, fraude processual, lesão corporal e falsidade ideológica, conforme apurações indicam que as infrações ocorreram em múltiplas ocasiões.

Atividade paralela como instrutor de combate urbano

Além das funções regimentais na Polícia Militar do Paraná, Sancho Loko atuava como empreendedor no ramo de segurança privada, oferecendo cursos intitulados Combate Urbano e Defesa Residencial em estabelecimentos de prática de tiro da Região Metropolitana de Curitiba. Em seu perfil digital, dedicava espaço específico para divulgar vídeos e fotografias dessas atividades, nas quais civis sem vínculo com forças de segurança eram instruídos e estimulados a reagir e atirar contra criminosos em situações hipotéticas.

Em uma de suas publicações, o policial justificava o propósito dos treinamentos: "O que é esse curso? Qual é o intuito dele? É preparar o cidadão de bem para acabar com essa palhaçada desse discurso de esquerda, do vitimismo, que a sociedade tem que arcar com preço da escolha de vagabundo".

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Operação policial e apreensões significativas

A ação coordenada pelo Gaeco contou com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e resultou na execução de quatro mandados judiciais: três em residências dos investigados e um na unidade militar onde atuavam, localizada na capital paranaense. Durante as diligências, foram apreendidos:

  • Celulares e dispositivos de armazenamento eletrônico que podem contribuir para as investigações
  • Munições irregulares e dinheiro em espécie nas residências de dois policiais
  • Simulacros (réplicas) de armas de fogo, munições irregulares e porções de drogas como maconha, crack e cocaína em armários sem identificação na unidade da PM

Além de Sancho Loko, outros dois policiais militares foram presos e são investigados pelos mesmos crimes, embora seus nomes não tenham sido divulgados oficialmente.

Defesa contesta legalidade da prisão preventiva

O advogado Claudio Dalledone, representante legal de Sancho, argumentou que seu cliente foi preso em flagrante por estar na posse de duas granadas de efeito moral que, segundo sua avaliação, "não apresentam letalidade nenhuma". O defensor afirmou ainda que as munições encontradas eram compatíveis com o calibre das armas utilizadas por Sancho em sua atividade como instrutor de tiro.

Sobre a decisão judicial que decretou a prisão preventiva, Dalledone classificou-a como "descabida" e anunciou que a defesa ingressará com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná: "Esse decreto será objeto de um habeas corpus feito pela defesa no Tribunal de Justiça. Em breve teremos aí a liberdade do soldado Sancho".

Posicionamento institucional da Polícia Militar

Em nota oficial, a Polícia Militar do Paraná confirmou o apoio prestado à operação através da Corregedoria-Geral e esclareceu que a ação investiga desvios de conduta supostamente cometidos durante abordagens policiais em Curitiba. A instituição reconheceu que "foram constatadas irregularidades" durante as diligências e informou que será instaurado procedimento administrativo para apuração completa dos fatos.

A PM reforçou seu compromisso institucional, afirmando que não compactua com condutas que violem os princípios e normas da instituição e destacando valores como legalidade, transparência e responsabilidade no exercício das funções policiais.

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