Roubo de celular a cada 10 minutos em SP: quadrilhas de bicicleta agem no Centro
Na cidade de São Paulo, um roubo de celular é registrado a cada dez minutos, revelando um cenário preocupante de criminalidade urbana. Flagrantes realizados pela TV Globo expuseram a ação de grupos organizados que utilizam bicicletas para furtar aparelhos celulares, especialmente na região entre a Estação da Luz e a Pinacoteca, no centro da capital paulista.
Modus operandi das quadrilhas
Os criminosos se disfarçam de ciclistas comuns, utilizando roupas apropriadas e capacetes, para passar despercebidos. Eles têm preferência por celulares de alto valor, mas não dispensam outros objetos valiosos. Em um dos casos flagrados, um ladrão até mesmo rejeitou um aparelho roubado por considerá-lo de baixa qualidade, jogando-o fora imediatamente.
As gangues operam com organização impressionante: enquanto parte do grupo circula em busca de vítimas, olheiros posicionados à distância monitoram a aproximação de policiais. Os locais escolhidos são pontos com grande aglomeração, como atrações turísticas. Visitantes da Pinacoteca, por exemplo, tornaram-se alvos frequentes dessas ações criminosas.
Vítimas e relatos
Entre as vítimas documentadas está uma turista do Paraná que acabara de descer de um carro de aplicativo quando teve seu celular arrancado por um ladrão em bicicleta. Outro caso envolveu um turista sueco que foi assaltado momentos antes de entrar em um museu, tendo seu passeio interrompido abruptamente.
O turista carioca Victor Correa Gomes da Cruz relatou uma experiência assustadora: "Eu estava tirando uma foto dela com a estação no fundo, aí veio o rapaz de bicicleta, roupinha de academia, veio devagarzinho, e segurei mais forte o telefone. Ele tentou puxar. Eu forcei um pouco mais, ele deu uma fugida depois".
Uma turista norte-americana compartilhou uma estratégia de prevenção que funcionou: seguindo o conselho de um amigo, ela prendeu o celular com um cordão, dificultando o roubo. Já na região da Avenida Paulista, um hotel precisou instalar placas de alerta para hóspedes sobre a atuação dessas quadrilhas organizadas.
Dados oficiais e medidas de combate
Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, os roubos de celulares apresentaram queda de 20% nos dois primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, reduzindo de 10.587 para 8.430 ocorrências. Apesar da redução, a média ainda é alarmante: 142,9 roubos por dia, ou aproximadamente um a cada dez minutos.
O coordenador do programa SP Mobile, Rodolfo Latif Sebba, explicou que a diminuição resulta de várias ações, incluindo o envio de mensagens para celulares com registro de roubo: "A pessoa pode receber uma mensagem para comparecer em uma delegacia, para entregar esse telefone. Caso ela não compareça, uma unidade policial vai fazer diligência até a residência dela para tentar recuperar esse telefone também".
Sebba alertou ainda que "é preciso que a população entenda que o telefone que ela esteja comprando, talvez um telefone barato, ele pode sair caro, porque a gente está monitorando isso".
Medidas de reforço
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública informou que vai intensificar o policiamento no Centro Histórico de São Paulo. A orientação para as vítimas é registrar boletim de ocorrência imediatamente, tanto para permitir que a Polícia Civil investigue os crimes quanto para que a Polícia Militar direcione equipes para áreas com maior incidência.
A situação evidencia um paradoxo: enquanto o governo estadual comemora uma queda inédita em todos os tipos de roubo no primeiro bimestre de 2026, a população ainda convive com a realidade de quase 143 celulares roubados diariamente na capital paulista. Os flagrantes realizados ao longo dos últimos dez sábados confirmam que o problema permanece ativo, exigindo atenção constante das autoridades e medidas preventivas por parte dos cidadãos.



