Pouso Alegre lidera casos de estupro no Sul de Minas com aumento de 40% em três anos
Pouso Alegre tem maior aumento de estupros no Sul de Minas

Pouso Alegre registra aumento alarmante de estupros no Sul de Minas

Um levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) aponta que Pouso Alegre é a única cidade entre as maiores do Sul de Minas Gerais a apresentar crescimento nos casos de estupro nos últimos três anos. Os dados oficiais, que abrangem o período de 2023 a 2025, mostram uma realidade preocupante para o município, que contrasta com a tendência de redução ou estabilidade observada em outras localidades da região.

Números revelam disparidade regional nos registros de violência sexual

Conforme os registros da Sejusp, Pouso Alegre passou de 10 casos de estupro em 2023 para 14 ocorrências em 2025, o que representa um aumento significativo de 40% no período analisado. Em contrapartida, outras cidades importantes do Sul de Minas apresentaram cenários distintos:

  • Poços de Caldas: os registros caíram de 25 para 17 casos, uma redução de 32%.
  • Passos: o número diminuiu de seis para cinco ocorrências.
  • Varginha: permaneceu estável, com 15 casos em todo o período de três anos.

Essa disparidade regional chama a atenção para fatores específicos que podem estar influenciando os índices de violência sexual em Pouso Alegre, demandando uma análise mais aprofundada das autoridades locais.

Caso recente ilustra gravidade da violência doméstica e sexual

Um episódio que exemplifica a seriedade do problema ocorreu recentemente em Pouso Alegre, com a prisão de um homem de 60 anos, suspeito de praticar violência sexual e doméstica contra sua companheira. Segundo investigações da Polícia Civil, o indivíduo teria cometido, de forma recorrente, agressões de natureza sexual, física, psicológica, moral e patrimonial contra a mulher, com quem vivia há mais de duas décadas. O suspeito encontra-se preso, aguardando as devidas medidas judiciais.

Especialista alerta para subnotificação e cultura do estupro

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, a ativista e jurista Pâmela Vindilino destacou que os números oficiais não refletem integralmente a realidade, devido à subnotificação significativa dos casos de violência sexual. Ela relaciona esse fenômeno à chamada cultura do estupro, que frequentemente coloca a vítima sob julgamento e relativiza a responsabilidade do agressor.

"Quando uma mulher vai denunciar, se relativiza muito: que roupa ela estava usando, em que horário ela estava andando pela rua, se ela estava alcoolizada ou não… coloca a conduta da mulher como motivo dela ter sido estuprada, quando, na verdade, quem tinha que ser colocado contra a parede é o agressor", explica a especialista.

Violência sexual ocorre majoritariamente no ambiente doméstico

Pâmela Vindilino ainda ressalta que a maioria dos casos de estupro não acontece em vias públicas ou envolve desconhecidos. Pelo contrário, essas agressões costumam ocorrer dentro de casa, muitas vezes praticadas por pessoas próximas ou da própria família, especialmente quando as vítimas são crianças e adolescentes.

"A vítima de violência sexual sempre vai mostrar sinais. Ela vai ficar em silêncio, vai ter alguma marca de agressão física, porque muitas vezes quando [o estupro] acontece em casa, vem acompanhado da violência doméstica. A criança ou adolescente vai mudar o comportamento na escola. Então, é importante ter esse olhar atento", detalha a ativista.

Canais de denúncia e orientações para a população

Diante desse cenário, a orientação é que denúncias sejam feitas sempre que houver suspeita de violência sexual. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. Além disso, estão disponíveis canais de denúncia anônima, como:

  1. Disque 100: para violações de direitos humanos em geral.
  2. Disque 180: Central de Atendimento à Mulher, específico para casos de violência de gênero.

Esses mecanismos são fundamentais para combater a subnotificação e garantir que as vítimas recebam o apoio necessário, contribuindo para um enfrentamento mais eficaz desse grave problema social.