Crise política no Rio: prisões de ex-secretários acirram embate entre Paes e Castro
Prisões de ex-secretários acirram embate entre Paes e Castro no Rio

Crise política se intensifica no Rio com prisões de ex-secretários

A prisão de um ex-secretário do governo estadual e, dois dias depois, a detenção de um ex-secretário municipal e vereador do Rio ampliaram significativamente o embate político entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL). Os dois políticos, que devem se enfrentar nas eleições deste ano, trocam acusações públicas sobre relações com o crime organizado enquanto articulam suas candidaturas.

Operação da PF prende ex-secretário de Esportes de Castro

Na segunda-feira (9), uma operação da Polícia Federal resultou na prisão do ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, que integrou o governo de Cláudio Castro. Ele é investigado por suspeita de integrar um grupo que vendia influência dentro da administração pública para favorecer o tráfico internacional de drogas.

Após a prisão, o prefeito Eduardo Paes publicou nas redes sociais que teria "perdido a conta" de quantos integrantes do governo estadual já foram presos por ligação com o crime organizado. Em um vídeo publicado no X, o prefeito também ironizou adversários políticos e disse que alguns dos que se apresentam como duros no combate ao crime seriam, na prática, "tchutchucas do Comando Vermelho".

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Polícia Civil prende vereador que foi secretário de Paes

Nesta quarta-feira (11), uma operação da Polícia Civil do Rio prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD), que já ocupou o cargo de secretário municipal da Juventude na gestão de Eduardo Paes. A prisão ocorreu durante a operação Contenção Red Legacy.

Segundo as investigações, o vereador seria um dos principais articuladores políticos ligados ao Comando Vermelho dentro da estrutura municipal. De acordo com a polícia, Salvino teria negociado com o traficante Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, autorização para fazer campanha eleitoral em 2024 em áreas dominadas pela facção, incluindo a Cidade de Deus.

Ao chegar preso à Cidade da Polícia, o vereador afirmou que estava sendo vítima de uma guerra política. "Isso é uma guerra política que não é minha", disse. Ele também negou qualquer ligação com o traficante.

Troca de acusações entre prefeito e governador

Após a prisão do vereador, o governador Cláudio Castro também se manifestou nas redes sociais e criticou a gestão municipal. Em publicação, Castro afirmou que a Polícia Civil havia prendido "o braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio" e disse que o parlamentar trabalhava "para bandido e não para o povo".

O governador também declarou que organizações criminosas — da milícia ao Comando Vermelho — tentam se infiltrar há décadas na estrutura da prefeitura.

Em resposta, Eduardo Paes publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que, caso as suspeitas sejam confirmadas, defende punição. "Vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita. Aqui não se passa mão em cabeça de quem faz coisa errada", afirmou.

O prefeito também criticou o que chamou de uso político das forças de segurança e afirmou que aliados do governo do estado já foram alvo de investigações por ligação com o crime organizado. "Só essa semana, mais um ex-secretário do governo do estado foi preso por suspeita de ligação com o tráfico", declarou.

Cenário eleitoral tenso

O embate político ocorre em um momento delicado, com Paes articulando candidatura a governador e Castro pretendendo disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. O governador ainda depende do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julga supostas irregularidades na campanha de 2022.

O julgamento no TSE foi interrompido na terça-feira (10), após o ministro Nunes Marques pedir vistas, com 2 votos a 0 a favor da cassação e inelegibilidade de Castro. O cenário político no Rio de Janeiro se mostra cada vez mais polarizado, com as prisões recentes servindo como munição para ambos os lados no embate eleitoral que se aproxima.

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