Polícia Federal prende operador financeiro do 'Careca do INSS' em São Paulo
Nesta quarta-feira (11), a Polícia Federal efetuou a prisão de Alexandre Moreira da Silva, um dos últimos foragidos da Operação Sem Desconto. A operação investiga desvios bilionários de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme informações de uma fonte com conhecimento direto do caso.
Papel do investigado no esquema de fraudes
De acordo com as investigações da PF, Silva atuava como um dos operadores financeiros de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido popularmente como 'Careca do INSS'. A reportagem tentou contato com Silva através dos números telefônicos registrados em seu nome, mas não obteve resposta. Também foram procurados sua esposa e um advogado que o representa em outras ações judiciais, sem sucesso.
Segundo os investigadores, Moreira participou ativamente da operacionalização de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Além disso, ele teria auxiliado na ocultação de recursos obtidos ilicitamente, contribuindo para a continuidade do esquema criminoso. Silva estava foragido desde dezembro do ano passado.
Detalhes da prisão e decisão judicial
Em nota oficial, a Polícia Federal afirmou que 'policiais federais realizaram a prisão após minucioso trabalho de investigação e levantamentos que permitiram localizar o investigado', sem mencionar especificamente o nome do suspeito. O indivíduo foi encaminhado para a unidade da PF em São Paulo, onde deve passar por audiência de custódia.
A prisão preventiva do suposto operador financeiro foi decretada por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Silva era sócio-administrador da empresa Credenzzo, controlada pelo 'Careca do INSS', que oferecia um cartão de benefícios em troca de descontos nas pensões previdenciárias.
Funcionamento da fraude e impactos financeiros
Na prática, o cartão da Credenzzo descontava a fatura diretamente sobre o salário, aposentadoria ou pensão do mês seguinte. Conforme a decisão do ministro Mendonça, operações como essa 'frequentemente apresentam taxas superiores às do consignado tradicional, especialmente quando o usuário realiza saques'.
O despacho do ministro do STF também indica que a investigação aponta para o uso dos lucros auferidos pela Credenzzo para ocultar valores provenientes de fraudes, além de possíveis delitos contra o sistema financeiro nacional. A empresa, procurada por meio de endereços de email indicados em seu site, não respondeu às perguntas da reportagem e foi liquidada em dezembro.
Escopo da Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto é conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ela apura um esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em benefícios do INSS, atingindo integrantes do Ministério da Previdência Social e do Senado.
As autoridades estimam que o esquema tenha descontado cerca de R$ 6,3 bilhões dos beneficiários do INSS entre 2019 e 2024. A fraude consiste em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, um modelo que permite deduções diretas mediante autorização dos beneficiários, mas que foi manipulado por entidades de fachada nos últimos anos.
