Polícia Federal notifica Eduardo Bolsonaro sobre processo de abandono de cargo
A Polícia Federal emitiu uma notificação nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, direcionada ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A corporação concedeu um prazo de 15 dias para que ele apresente sua defesa em um processo administrativo disciplinar, no qual é acusado formalmente de abandono de cargo. Caso seja considerado culpado, Eduardo Bolsonaro corre o risco de perder sua posição como escrivão da Polícia Federal, um cargo que ocupa atualmente.
Detalhes do processo e situação atual
No documento oficial, a Polícia Federal afirma que Eduardo Bolsonaro se encontra "em lugar incerto e não sabido", destacando a dificuldade em localizá-lo para procedimentos administrativos. Desde o início do ano de 2025, o ex-deputado tem residido nos Estados Unidos, onde tem atuado em esforços para pressionar a Justiça brasileira visando a absolvição de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Esta não é a primeira medida disciplinar tomada contra Eduardo Bolsonaro. Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal já havia determinado seu afastamento do cargo de escrivão devido a um excesso de faltas injustificadas. Anteriormente, em dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados cassou seu mandato parlamentar pelo mesmo motivo, reforçando um histórico de questões relacionadas à sua presença e compromisso com funções públicas.
Implicações legais e possíveis consequências
O processo administrativo disciplinar movido pela Polícia Federal pode resultar em penalidades severas, incluindo a demissão do cargo de escrivão, caso Eduardo Bolsonaro não consiga justificar adequadamente suas ausências. Especialistas em direito administrativo alertam que o abandono de cargo é considerado uma infração grave, podendo levar à perda definitiva da função pública e a restrições futuras em concursos e cargos governamentais.
A situação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos complica ainda mais o cenário, pois a distância geográfica pode dificultar a apresentação de uma defesa eficaz dentro do prazo estipulado. A Polícia Federal tem enfatizado a importância do cumprimento dos prazos processuais, indicando que a falta de resposta pode ser interpretada como renúncia tácita ao direito de defesa, acelerando a decisão final.
Este caso reflete tensões mais amplas no cenário político brasileiro, envolvendo figuras proeminentes da família Bolsonaro e questões de accountability no serviço público. A resolução deste processo poderá estabelecer precedentes significativos para como a administração pública lida com casos similares de abandono de função por autoridades eleitas ou nomeadas.



