Polícia Federal inicia análise de documentos da CPMI do INSS sobre quebra de sigilo de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal deu início nesta semana à análise minuciosa do material da CPMI do INSS que se refere especificamente à quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A ação segue uma determinação direta do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou que todas as informações relacionadas à vida privada de Vorcaro sejam mantidas sob rigoroso sigilo e protegidas de acesso público.
Operação na sala-cofre e reforço de segurança
Os agentes federais se dirigiram imediatamente para a sala da secretaria onde estão localizados os computadores que armazenam os dados sensíveis da comissão parlamentar de inquérito. Desde a última segunda-feira, dia 16, a segurança no local foi significativamente reforçada, com medidas extras para garantir a integridade dos documentos. A porta de acesso leva diretamente à sala-cofre, um ambiente altamente protegido que guarda os arquivos mais confidenciais da investigação, incluindo o conteúdo completo da quebra de sigilo do empresário.
Conforme a decisão judicial, uma equipe especializada da PF está realizando uma triagem detalhada do material disponível na CPMI, com o objetivo específico de identificar e apagar qualquer informação que seja considerada de natureza pessoal ou íntima. Não há um prazo estabelecido para a conclusão deste trabalho de filtragem, o que indica a complexidade e a delicadeza da operação.
Preocupações políticas e investigação de vazamentos
O deputado Rogério Correia, do PT, manifestou preocupação com o processo, argumentando que é fundamental garantir a preservação de dados que envolvam políticos e outras autoridades. Ele alertou que, com a restrição de acesso a certos documentos, os parlamentares podem ficar impedidos de examinar agendas comprometedoras de Vorcaro. "As pessoas envolvidas tanto em agenda do próprio Vorcaro, quanto as pessoas envolvidas em festas, etc... Seja de um grupo seleto de políticos que ele convidava. A Polícia Federal vai ter que fazer essa interpretação. Estas pessoas estavam convidadas para isso, para fazer o que em relação ao Vorcaro", questionou o parlamentar.
Paralelamente, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana do Podemos-MG, solicitou formalmente que a PF investigue a possibilidade de alguém ter adentrado a sala-cofre com uma câmera escondida, o que configuraria uma violação grave de segurança. "Essa informação será devidamente investigada pela polícia do Legislativo. O que nós sabemos é que, infelizmente, existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação e informações particulares ligadas à quebra de sigilo do senhor Daniel Vorcaro que poderiam inviabilizar as provas", declarou Viana.
O senador enfatizou a importância de preservar todo o material coletado para assegurar a validade das provas no eventual andamento de um processo judicial. "E o mais importante neste momento é nós preservarmos todo esse material para que o inquérito corra, a investigação seja feita e, na possibilidade de uma condenação, nenhuma prova seja anulada pela defesa do senhor Vorcaro", completou.
Prazos da comissão e contexto financeiro
Os trabalhos da CPMI do INSS estão oficialmente previstos para encerrar no dia 27 deste mês. No entanto, o senador Carlos Viana já solicitou uma prorrogação de 60 dias à presidência do Congresso, aguardando uma resposta. Como medida adicional, ele ingressou com um mandado de segurança no STF para tentar estender o prazo, tendo o ministro André Mendonça como relator do pedido.
O caso ganha contornos ainda mais complexos com as recentes decisões no setor financeiro. O Banco Central determinou nesta terça-feira, dia 17, a liquidação do Master Múltiplo, marcando o quinto banco extinto desde a eclosão do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro. A instituição estava em regime de administração especial temporária, mas, com a liquidação da Will Financeira em janeiro, o BC avaliou que não havia mais razão para sua continuidade, especialmente por não contar com correntistas.
Em outro desenvolvimento, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal restabeleceu a validade de uma lei que autoriza o Banco de Brasília (BRB) a utilizar nove imóveis públicos como garantia para empréstimos de até R$ 6,6 bilhões. A decisão reverteu uma liminar anterior que havia suspendido a norma, com o desembargador Roberval Belinati considerando que a medida atende a um relevante interesse público. O BRB enfrenta prejuízos bilionários após a compra de carteiras de crédito do Banco Master, que apresentavam indícios de fraude, e agora busca formas de recapitalização.



