PF encontra conversas entre Wesley Safadão e deputado Júnior Mano em esquema de fraudes no Ceará
PF acha diálogos de Safadão com deputado em esquema criminoso

Polícia Federal descobre diálogos entre Wesley Safadão e deputado em investigação sobre fraudes

A Polícia Federal identificou uma série de conversas entre o cantor Wesley Safadão, seus familiares e o deputado federal Júnior Mano (PSB), como parte de uma investigação que aponta o envolvimento do parlamentar em um esquema criminoso no Ceará. O relatório da PF detalha que o grupo, supostamente liderado por Júnior Mano e o ex-prefeito Bebeto Queiroz (PSB), foragido há mais de um ano, atuava em negociações de emendas parlamentares, fraudes em licitações de prefeituras e financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

Pedido de patrocínio e uso de aeronaves em meio a contratos milionários

De acordo com as evidências coletadas, Júnior Mano solicitou um patrocínio de R$ 200 mil à empresa de apostas BetVip, de propriedade de Wesley Safadão, pouco depois de o artista fechar um contrato de R$ 900 mil para um show na cidade de Nova Russas em 2024. A prefeita do município é Giordanna Mano (PRD), esposa do deputado. Em 2025, o cachê do cantor no mesmo evento subiu para R$ 1,2 milhão. A PF interpreta o pedido como uma "solicitação camuflada de propina", sugerindo uma possível devolução de parte do valor contratado.

Além disso, o parlamentar entrou em contato com o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para acelerar a liberação de duas aeronaves de Safadão pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com a intenção de usá-las durante a campanha eleitoral de 2024. "Vou andar nesse [avião] menor nas campanhas, não aguento mais carro", afirmou Júnior Mano em uma das mensagens.

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Relação próxima com familiares do cantor e operação do esquema

As investigações também revelaram diálogos frequentes entre o deputado e Yvens Watilla, irmão de Safadão e administrador de sua carreira. Eles discutiam apoios políticos em prefeituras do interior cearense, movimentações financeiras e intermediações com outros políticos. Durante uma busca em um imóvel de Júnior Mano em Fortaleza, a PF encontrou um carro pertencente à empresa de Watilla estacionado na vaga do deputado, reforçando a proximidade entre as partes.

O esquema criminoso, conforme descrito pela PF, funcionava com a destinação de emendas parlamentares de Júnior Mano para prefeituras alinhadas, cobrando uma "taxa" de 12 a 15% dos recursos. Bebeto Queiroz intermediaria essas transações, utilizando empresas que depois obtinham contratos com as prefeituras dos aliados eleitos. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que nove dessas empresas receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre 2023 e 2025.

Defesas dos envolvidos e contexto político familiar

Em nota enviada ao g1, Wesley Safadão afirmou que "não possui qualquer envolvimento político com as pessoas mencionadas" e que o pedido de patrocínio é comum no setor de eventos. A assessoria jurídica de Júnior Mano declarou que a PF "nada encontrou de relevante contra o deputado" e criticou o vazamento de informações sigilosas em período eleitoral. A defesa de Yvens Watilla não foi localizada para comentários.

Vale destacar que a família de Safadão tem histórico na política de Aracoiaba, no Ceará, com um irmão do cantor, Wellington Silva de Oliveira (Edim do PP), tendo sido prefeito até ser cassado em fevereiro deste ano, e os pais do artista atuando como vereadores. A investigação da PF envolve 13 pessoas, acusadas de crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral, embora Safadão e sua família não sejam investigados por essas infrações.

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