Ala feminina do MDB manifesta repúdio à filiação de Dado Dolabella
A decisão do MDB do Rio de Janeiro de filiar o ator Dado Dolabella e anunciá-lo como pré-candidato a deputado federal para as eleições de 2026 gerou uma reação imediata e contundente dentro do próprio partido. A ala feminina da sigla, conhecida como MDB Mulher, divulgou uma nota oficial repudiando a entrada do artista, citando seu histórico de violência contra mulheres.
Nota de repúdio assinada pela presidente do MDB Mulher no Rio
Kátia Lôbo, presidente do MDB Mulher no estado do Rio de Janeiro, foi a autora da manifestação pública, expressando surpresa e indignação com a notícia. Em publicação em seu perfil no Instagram, realizada na quinta-feira, dia 5 de março, Lôbo destacou a gravidade do momento, especialmente por ocorrer no mês dedicado às mulheres.
"Recebi com estarrecimento, surpresa e repúdio a notícia da filiação do ator Dado Dolabella — um homem agressor de mulheres, como todo o Brasil o conhece", escreveu Kátia Lôbo. Ela acrescentou que a situação "depõe contra tudo que milito e militei por tantos anos ao longo da minha vida, sendo uma mulher preta, mãe, avó: a não violência contra a mulher, seja ela qual for".
Anúncio da filiação e rápida retirada do vídeo
A filiação de Dolabella ao MDB foi formalizada pelo presidente estadual do partido no Rio, Washington Reis, que chegou a publicar um vídeo nas redes sociais apresentando o ator como pré-candidato. No material, Reis descreveu Dolabella como "pai de família" e o artista citou bandeiras que pretende defender, incluindo a "defesa da família" e o combate à "injustiça" e à criminalidade.
No entanto, após a repercussão negativa e a nota de repúdio do MDB Mulher, o post com o vídeo foi rapidamente apagado das plataformas digitais, indicando a sensibilidade do assunto e a pressão interna dentro da agremiação política.
Histórico de violência contra mulheres e reação de Luana Piovani
Dado Dolabella possui um extenso histórico de acusações e condenações relacionadas a violência contra mulheres. Em 2008, ele foi condenado por agressão contra a atriz Luana Piovani, que se manifestou publicamente após o anúncio da pré-candidatura.
"Como é que pode uma pessoa que tem processo criminal se candidatar a cargo público?", questionou Piovani em suas redes sociais, reforçando a controvérsia em torno da possível candidatura do ator.
A nota do MDB Mulher ressaltou ainda que receber a notícia no mês da mulher é "algo que revolta e contraria tudo o que o MDB Mulher quer passar às mulheres", evidenciando o choque entre a imagem pública de Dolabella e os valores defendidos pela ala feminina do partido.



