Ex-secretária e aliado são investigados por fraude em contratos contra a dengue em Goiás
Fraude em contratos contra dengue investigada em Goiás

Operação da Polícia Civil desmantela esquema de fraude em contratos contra dengue em Goiás

Uma operação conduzida pela Polícia Civil de Goiás (PC-GO) resultou na prisão de dois ex-servidores públicos de Goiânia, suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude em licitação para a aquisição de tinta inseticida utilizada no combate à dengue. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta terça-feira (10) na capital goiana e em Valparaíso de Goiás, localizado no Entorno do Distrito Federal.

Núcleo paralelo de compras e violação de princípios administrativos

De acordo com o delegado Ricardo Pina, que coordena as investigações, os indivíduos presos eram servidores comissionados que atuavam na gestão anterior dos municípios. A investigação, iniciada em 2024, focou na Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia (Semasdh) e revelou a existência de um núcleo paralelo de compras, informalmente denominado "Departamento de Compras 2".

"Verificou-se a formação de um grupo composto por servidores públicos e ex-servidores comissionados, que conferiam uma celeridade desproporcional aos procedimentos licitatórios, violando princípios administrativos fundamentais como transparência e segregação de funções", afirmou o delegado Ricardo Pina em coletiva de imprensa.

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Detalhes da fraude e prejuízo aos cofres públicos

A investigação apurou que, em um dos contratos fraudulentos, a Semasdh adquiriu 2.500 latas de tinta inseticida, totalizando 10.000 litros, ao custo de R$ 1.775 por lata. O contrato global estava avaliado em aproximadamente R$ 4.437.500,00, com um prejuízo ao erário público estimado em R$ 2,7 milhões, valor que foi solicitado em sequestro judicial.

Os investigadores identificaram múltiplas irregularidades:

  • Fraude no procedimento licitatório, na execução contratual e na fiscalização
  • Entrega dos produtos próxima à data de vencimento, comprometendo sua eficácia
  • Divergência entre a quantidade de tinta adquirida e a metragem real a ser coberta
  • Aplicação do inseticida em imóveis desativados ou sem funcionalidade pública

"2.500 latas de tinta têm capacidade para cobrir 100 mil metros quadrados, mas a ordem de serviço previa algo em torno de cinco vezes essa metragem, demonstrando a inexatidão e a impossibilidade de utilização adequada", explicou o delegado Ricardo Pina.

Manifestações das autoridades envolvidas

A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia emitiu nota oficial afirmando que está à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.

O ex-prefeito Rogério Cruz também se manifestou através de nota, esclarecendo que não é parte no processo judicial relacionado à apuração e que não tem conhecimento sobre o conteúdo dos autos. Ele afirmou ainda que não participou de qualquer ato relacionado à execução contratual ou à condução dos processos administrativos mencionados na investigação.

Alcance da operação e crimes investigados

A operação policial resultou na decretação de 13 mandados judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão distribuídos entre o Distrito Federal (6), Goiânia (4) e Valparaíso de Goiás (1). Além dos ex-servidores públicos, os proprietários da empresa fornecedora das tintas também são alvos da investigação.

Os crimes em apuração incluem associação criminosa, modificação irregular de contrato e fraude em contrato administrativo. A polícia continua coletando evidências e expandindo as investigações para identificar possíveis envolvidos adicionais no esquema fraudulento.

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