Auditoria do BRB aponta papel central de ex-presidente em operações suspeitas com Banco Master
Ex-presidente do BRB centralizou operações suspeitas, diz auditoria

Auditoria do BRB revela protagonismo de ex-presidente em operações com Banco Master

Uma auditoria externa contratada pela nova gestão do Banco de Brasília (BRB) para investigar as relações entre a instituição e o Banco Master identificou um papel de protagonismo do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, nas movimentações hoje sob suspeita. Segundo os investigadores, Paulo Henrique Costa – afastado do posto pela Justiça e demitido pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) em novembro, após a operação Compliance Zero – centralizou as operações comerciais com o Master e a busca de novos acionistas.

Documentos acessados pela TV Globo revelam detalhes

A TV Globo teve acesso a parte do material remetido pela auditoria à Polícia Federal. Nesse trecho, consta que: "[...] foi o próprio executivo [Paulo Henrique Costa] que coordenou com pessoas físicas – acionistas individuais que haviam exercido direito de preferência e sobras nas rodadas anteriores – uma operação triangulada e com elementos suspeitos de simulação para permitir que tais fundos fizessem a aquisição das ações."

Os auditores contratados pela nova gestão do BRB também viram como "suspeita" a atuação direta de Paulo Henrique Costa na captação de novos acionistas. "[...] As narrativas e documentações levantadas até o momento indicam que todas as operações sob apuração foram profundamente centralizadas e capitaneadas por ele, Paulo Henrique Costa, que, conforme já relatado, concentrou não apenas a condução das operações comerciais com o Banco Master, mas também a busca, estruturação e internalização dos novos acionistas no capital social da instituição."

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Investigações da Polícia Federal e bloqueios judiciais

A venda de ações do BRB a executivos como Daniel Vorcaro (Banco Master) e João Carlos Mansur (Reag) é investigada também pela Polícia Federal em pelo menos dois inquéritos. No fim de fevereiro, o blog da Camila Bomfim mostrou que a Justiça bloqueou R$ 376,4 milhões em participações acionárias desses e de outros executivos investigados no caso.

A intenção é usar esses ativos para recompor o caixa do BRB ao fim de um processo judicial, se o dano ao banco for comprovado. Esse bloqueio representa uma medida cautelar significativa enquanto as investigações avançam para determinar a extensão dos prejuízos à instituição financeira.

Defesa do ex-presidente contesta as acusações

Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa negou que ele tenha exercido um papel central na operação. Os advogados afirmaram que o contato do ex-executivo com acionistas era apenas um ato de um processo maior e mais complexo, sugerindo que as responsabilidades estariam distribuídas entre diversos agentes envolvidos nas transações.

Enquanto isso, deputados distritais buscam consenso para tentar aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar mais profundamente a crise envolvendo o BRB e o Banco Master, demonstrando o interesse político em esclarecer todos os aspectos desse caso que envolve instituições financeiras de Brasília.

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