Caso Master: Escritório de advocacia de Ibaneis Rocha recebeu R$ 4 milhões de fundo investigado
O escritório particular de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), celebrou um contrato milionário com a Reag Investimentos, gestora investigada por supostas fraudes no sistema financeiro e envolvimento com o Banco Master. De acordo com informações divulgadas, o escritório afirma ter recebido apenas R$ 4 milhões dos R$ 38 milhões em honorários advocatícios vendidos ao fundo.
Detalhes do contrato e valores envolvidos
O contrato foi assinado em 29 de maio de 2024, mais de um ano antes da Operação Compliance Zero e da liquidação do Master e da Reag. Através de uma nota oficial, o escritório explicou que, em decorrência da cessão, ele e uma outra firma de advocacia receberam 27% do valor total do honorário. Desse montante, R$ 4 milhões foram destinados ao escritório de Ibaneis Rocha, enquanto os R$ 6 milhões restantes foram para a outra empresa.
Em sua defesa, o escritório destacou que se trata de um "negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado por escritórios de advocacia", como forma de abreviar o recebimento, com deságio, de valores decorrentes de ações judiciais contra entes públicos. O documento acessado pela imprensa não especifica o valor efetivamente pago pela Reag, ou seja, qual foi o deságio exato da transação.
Relação com o BRB e investigações em curso
A oposição a Ibaneis Rocha enviou uma representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a investigação desses indícios de "relação econômica privada" entre o governador e a Reag. A figura do executivo Marcos Ferreira Costa, ligado à Reag, aparece como diretor do fundo Pedra Azul FIDC, que comprou os créditos do escritório de Ibaneis.
Curiosamente, o mesmo executivo atuou como representante da Reag na assembleia de acionistas do Banco de Brasília (BRB) em março de 2025, que aprovou o aumento de capital do banco. Naquele momento, a Reag já detinha mais de 10% do BRB, com ações registradas em nome do fundo Borneo FIP Multiestratégia.
Contexto das investigações sobre a Reag Investimentos
A Reag Investimentos, fundada em 2013 por João Carlos Mansur, tornou-se uma das maiores gestoras independentes do país, administrando até R$ 299 bilhões em recursos. No entanto, em janeiro deste ano, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora, nova denominação da Reag Trust DTVM, após a segunda fase da Operação Compliance Zero.
A empresa é investigada por supostamente atuar na estruturação e administração de fundos usados em operações atípicas, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. Além disso, a Reag também é alvo da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC, acusada de gerir fundos de investimento utilizados pela facção para lavagem de capitais.
Envolvimento do BRB e do Banco Master
O BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando adquirir a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master, sendo que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades. O Banco Central barrou a compra e determinou a liquidação extrajudicial do Master, congelando os ativos que seriam transferidos ao patrimônio do BRB.
Essas transações fragilizaram significativamente o patrimônio do BRB, colocando o banco em risco de descumprir as regras prudenciais do sistema bancário. Desde então, o BRB e o governo do DF têm atuado em múltiplas frentes para tentar recompor o caixa, seja recuperando o dinheiro investido no Master ou buscando novos aportes.
Posicionamento da defesa de Ibaneis Rocha
A defesa do governador Ibaneis Rocha esclareceu que ele está "afastado do escritório de advocacia desde 2018", de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento. A nota reforça que o governador "nunca participou de quaisquer negociações" com Marcos Ferreira Costa ou outros representantes da Reag, e que todas as informações que detém sobre o grupo foram adquiridas a partir de matérias jornalísticas publicadas no presente ano.
Por sua vez, a Reag e o BRB optaram por não se manifestar sobre o caso. As investigações continuam em andamento, com autoridades analisando os detalhes desse contrato e suas possíveis implicações no cenário político e financeiro do Distrito Federal.



