Deputada do MDB é acusada de fraudar aposentados e receber propina no INSS
A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) fortes evidências de que a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) atuou ativamente em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a corporação, a parlamentar, juntamente com outros dois investigados, praticou a ocultação e dilapidação de bens que poderiam ser utilizados para reparar os prejuízos causados aos beneficiários.
Investigação detalha esquema de corrupção
O ministro do STF, André Mendonça, recebeu o relatório da PF que aponta a participação direta de Gorete Pereira no esquema. A deputada teria recebido propina para facilitar o credenciamento de novas entidades associativas no INSS, entidades essas que eram controladas por ela mesma por meio de procurações. Os recursos descontados indevidamente dos aposentados eram direcionados para contas de fachada e, posteriormente, transferidos para a conta pessoal da parlamentar.
Entre as provas apresentadas, destacam-se:
- Planilhas encontradas em mensagens de WhatsApp com o nome de Maria Gorete (nome completo da deputada) ao lado de valores expressivos, indicando pagamentos de propina.
- Uma anotação específica de 780 mil reais vinculada ao nome da deputada.
- Comprovação de que Gorete Pereira adquiriu um apartamento de mais de quatro milhões de reais em nome de uma empresa de fachada.
- Aquisição de um veículo de luxo avaliado em mais de 400 mil reais, utilizando recursos subtraídos dos beneficiários do INSS.
Decisão judicial e medidas cautelares
A Polícia Federal solicitou a prisão preventiva de Gorete Pereira e dos outros dois investigados, Cecília Rodrigues Mota e Natjo de Lima Pinheiro. No entanto, o ministro André Mendonça autorizou a prisão apenas de Cecília e Natjo, determinando para a deputada a utilização de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
Em sua decisão, Mendonça ressaltou que há elementos robustos que comprovam a participação da deputada no esquema, incluindo a dilapidação de patrimônio que poderia ser apreendido para indenizar as vítimas das fraudes. A investigação continua em andamento, com a PF coletando mais evidências sobre a extensão do prejuízo causado aos aposentados e pensionistas.
O caso expõe uma grave violação de confiança pública, onde uma representante eleita supostamente utilizou sua posição para enriquecer ilicitamente às custas dos mais vulneráveis. A sociedade aguarda os desdobramentos jurídicos e a possível responsabilização de todos os envolvidos neste escândalo que abala a credibilidade do sistema previdenciário brasileiro.



