Polícia Federal acusa CPMI do INSS de reinserir dados excluídos de celular de banqueiro
A Polícia Federal (PF) divulgou nesta quarta-feira (18) uma nota oficial informando que a CPMI do INSS realizou a reintrodução em seus sistemas de dados do celular de Daniel Vorcaro, banqueiro proprietário do Banco Master. Esses dados haviam sido originalmente recolhidos a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) e posteriormente excluídos pela PF em cumprimento a uma decisão do ministro André Mendonça.
Violentação da cadeia de custódia judicial
Segundo a PF, os policiais federais descobriram a reinserção dos dados enquanto executavam a ordem judicial de retirar informações sensíveis de Vorcaro que estavam armazenadas na sala-cofre da CPMI do INSS. "Durante a ação, foi constatada a reintrodução, no ambiente do Senado Federal, de dados anteriormente excluídos pela Polícia Federal", afirmou a corporação em comunicado.
A medida de restauração teria partido de uma solicitação direta da Presidência da CPMI à empresa Apple, gerando um novo fluxo de download e armazenamento dos arquivos. Esse processo ocorreu fora do controle inicial da cadeia de custódia estabelecida judicialmente, conforme destacou a PF. Todos os fatos foram devidamente relatados ao ministro relator do caso no STF.
Conteúdos íntimos e reação da defesa
Entre os materiais já identificados no aparelho de Vorcaro estavam mensagens trocadas com sua ex-noiva, a modelo e influenciadora Martha Graeff. Os documentos incluíam conversas íntimas trocadas entre o casal, o que levou a defesa de Graeff a emitir uma nota pública.
O advogado Lúcio de Constantino, representante da modelo, afirmou que sua cliente está sendo vítima de "grave violência" devido à exposição ilegal e inútil de mensagens privadas. A nota ressalta que Martha Graeff não mantém relacionamento com Daniel Vorcaro há meses e que "ela jamais esteve envolvida em qualquer tipo de ilicitude penal". A defesa estuda acionar a Justiça sobre o caso.
Operação policial e detalhes técnicos
A PF detalhou que, em cumprimento à decisão do ministro André Mendonça nos autos da PET 15.612/DF, realizou a retirada, extração, cópia segura e posterior exclusão dos dados armazenados nos ambientes técnicos do Senado Federal. Essas medidas foram executadas na terça-feira (17/3) com rigorosa observância dos protocolos de cadeia de custódia, integridade probatória e segregação de informações sensíveis.
O episódio levanta questões sobre o manuseio de provas digitais em investigações parlamentares e a coordenação entre poderes em casos de alta complexidade. A PF enfatizou que a reintrodução dos dados comprometeu a integridade do processo judicial, criando uma situação que requer análise aprofundada pelas autoridades competentes.



