Coronel da PM denunciado por compra de votos assume cargo na Casa Militar de Roraima
O coronel da Polícia Militar de Roraima, Francisco das Chagas Lisboa Júnior, foi nomeado como secretário-chefe adjunto da Casa Militar do estado nesta quinta-feira (9). A nomeação foi assinada pelo governador Edilson Damião (União Brasil) e publicada no Diário Oficial do Estado.
Denúncia por esquema eleitoral estruturado
Lisboa foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral em fevereiro de 2026 por suspeita de participação em um esquema estruturado de compra de votos nas eleições municipais de 2024. Ele chegou a ser preso em dezembro de 2024 e, segundo o MP, usou sua posição como vice comandante-geral da PM para acessar informações sigilosas do sistema de denúncias da corporação.
O esquema, que envolvia outras 14 pessoas incluindo o presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, Genilson Costa (Republicanos), era voltado para garantir a reeleição do vereador através de recursos financeiros não declarados, caracterizando a prática de caixa dois eleitoral.
Substituição e contexto da nomeação
Antes da nomeação de Lisboa, o cargo de secretário-chefe adjunto da Casa Militar era ocupado pelo coronel Ilmar Soares Costa. Na nova função, Lisboa vai trabalhar diretamente com o coronel Miramilton Goiano de Souza, titular da pasta, que também é investigado pela Polícia Federal por suspeita de chefiar um esquema de venda ilegal de armas e munições envolvendo policiais.
O g1 procurou o governo do estado para esclarecer os critérios utilizados na escolha do coronel, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A nomeação ocorre em um contexto onde o MP já havia solicitado o afastamento de Lisboa do cargo de coronel devido ao uso indevido da função pública para fins eleitorais.
Estrutura hierárquica do esquema criminoso
De acordo com as investigações do Ministério Público, o esquema de corrupção eleitoral funcionava de forma hierarquizada e organizada, com divisão clara de tarefas entre líderes, coordenadores e operadores de campo. A ação do MP descreve uma complexa associação criminosa que utilizava métodos sofisticados para burlar a fiscalização eleitoral.
O caso representa um dos maiores escândalos eleitorais recentes em Roraima e levanta questões sobre a nomeação de figuras investigadas para cargos de confiança no governo estadual, especialmente em órgãos de segurança como a Casa Militar.



