Pesquisa revela impacto do caso Master e aumenta pressão sobre Fachin no STF
Caso Master pressiona Fachin e divide Supremo, mostra pesquisa

Pesquisa revela estrago do caso Master e aumenta pressão sobre Edson Fachin no STF

A nova rodada da pesquisa Genial Quaest sobre a popularidade do Supremo Tribunal Federal traduz em números um problema que já divide a Corte e eleva significativamente a pressão sobre o ministro Edson Fachin. Como presidente do STF, cabe a Fachin liderar o tribunal nos momentos de turbulência, mas a crise aberta pelo escândalo do Banco Master, com suas conexões no próprio tribunal, fragmentou o Supremo de maneira preocupante.

Divisão interna e críticas à atuação de Fachin

Os ministros ouvidos por Fachin nos últimos dias parecem perdidos na análise de potenciais saídas para o resgate da imagem institucional da Corte. Enquanto uma ala do tribunal segue favorável a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, outros integrantes do Supremo avaliam que seria melhor que os colegas envolvidos tirassem um período de licença. A conversa ainda ocorre no conforto do anonimato das avaliações de gabinete, mas existe e ganha força.

Nesse grupo de magistrados que entende que o caso já abala de maneira significativa a imagem da instituição, há ministros que ironizam Fachin como o oncologista que, diante de um quadro de complicações clínicas que só se agravam, decide tratar o paciente com paracetamol. A crítica é direcionada ao que Fachin tem feito, até aqui, para lidar com as revelações do caso Master.

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Proposta considerada insuficiente

A proposta do presidente do STF é a aprovação de um código de ética para o tribunal, mas essa medida é vista como inadequada por parte dos ministros. "Código de Ética seria efetivo para dilemas éticos, não para casos criminais", diz um ministro ao Radar. No país, todos os magistrados estão sujeitos ao controle rigoroso do Conselho Nacional de Justiça, com exceção dos próprios ministros do STF, que devem regular suas condutas internamente.

Daí surge a pressão para que Fachin saia dos bastidores e passe a liderar uma resposta pública de reação ao caso Master que faça com que a sociedade volte a credibilizar o Supremo. A necessidade de uma ação mais contundente se torna cada vez mais urgente diante dos números revelados pela pesquisa.

Queda na credibilidade e impacto eleitoral

A pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira mostra que 49% dos brasileiros dizem não confiar no Supremo, enquanto 43% manifestam confiança. Outros 8% não sabem ou não responderam. Comparado ao levantamento de agosto de 2025, a credibilidade da Corte despencou 7% na pesquisa. Os que não confiam no STF eram 47% no levantamento do ano passado e agora são 49%.

Os que não sabem responder subiram de 3% para 8%, mostrando como as revelações do caso Master lançaram os brasileiros num mar de dúvida sobre o que sentir em relação ao tribunal. A pesquisa também revela divisões políticas claras:

  • Entre os lulistas, 71% dizem que confiam no STF, e 21% que não
  • Entre eleitores de esquerda não lulista, 77% confiam e 18% não confiam
  • No segmento dos independentes, 51% não confiam e 36% confiam
  • Na direita não bolsonarista, 77% não confiam e 20% confiam
  • Entre bolsonaristas, 84% não confiam e apenas 13% confiam

Potencial influência nas eleições

A pesquisa também mediu o potencial de o escândalo do Master influenciar as eleições de outubro, com achados que rendem vários alertas:

  1. 72% dos entrevistados dizem que o STF tem poder demais
  2. 66% afirmam que é importante votar em um candidato do Senado comprometido com o impeachment de ministros do STF
  3. 59% identificam o Supremo como aliado do governo Lula

O levantamento também mostra que 38% dos eleitores não votariam em candidato envolvido no escândalo do Master. Outros 29% afirmam que levariam o tema em consideração junto com outras questões. Para 20%, o tema influi diretamente no voto. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março.

A situação coloca Fachin em uma posição delicada, onde sua liderança é questionada internamente enquanto a credibilidade do tribunal sofre abalos significativos perante a opinião pública. O caso Master continua a gerar ondas de repercussão que podem ter consequências duradouras para a imagem do Supremo Tribunal Federal.

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