BRB emite comunicado rebatendo reportagem sobre compra de fundos investigados
O Banco de Brasília (BRB) divulgou um comunicado oficial ao mercado nesta quarta-feira, 9 de abril de 2026, no qual minimizou as informações de uma reportagem do portal Metrópoles sobre a aquisição de R$ 1,5 bilhão em fundos da gestora Reag. Segundo a publicação, esses ativos pertenciam ao Banco Master e continham patrimônio vinculado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
"Esclarecemos que as informações apresentadas na matéria não refletem adequadamente a natureza, a estrutura e a dinâmica das operações mencionadas", afirmou o banco em sua nota oficial, sem entrar em detalhes específicos sobre as acusações.
Operação Carbono Oculto e investigações da Polícia Federal
De acordo com a reportagem do Metrópoles, as transações teriam ocorrido após a Reag já ter sido alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal. A investigação identificou fundos de investimento ligados a integrantes do PCC, utilizando estruturas complexas de "fundo sobre fundo" que teriam contribuído para a liquidação tanto da Reag quanto do Banco Master em novembro de 2025.
O jornal afirma ainda que a maior parte dos ativos adquiridos pelo BRB apresentava características semelhantes às estruturas apontadas pela PF como parte do esquema fraudulento investigado. Segundo as informações publicadas, as compras foram aprovadas pelas instâncias decisórias do banco e pagas antes da elaboração de pareceres de risco que apontavam semelhanças com os investimentos sob investigação.
Resposta institucional e questões regulatórias
Além de rebater o teor da reportagem, o BRB destacou em seu comunicado que parte das informações mencionadas decorre de dados encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em caráter preliminar e sob sigilo, no âmbito de análises técnicas ainda em andamento. A instituição financeira afirmou que o caso já foi comunicado à autarquia reguladora para as providências cabíveis.
"Ademais, a matéria atribui conclusões que não correspondem a manifestações formais do BRB. Por se tratar de fatos pretéritos, sem ato novo ou efeito concreto e imediato, a Companhia entende que o tema não configura fato relevante, nos termos da regulamentação aplicável", declarou o banco em sua resposta oficial.
O BRB também reafirmou em seu comunicado o compromisso institucional com a transparência, a governança corporativa e a adequada prestação de informações ao mercado, buscando manter a confiança dos investidores e clientes mesmo diante das alegações apresentadas pela reportagem.
A situação envolve questões complexas de regulação financeira e investigações criminais, colocando em evidência os mecanismos de controle e due diligence adotados por instituições financeiras em operações de grande porte. O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades competentes, incluindo a CVM e a Polícia Federal, que mantêm investigações em andamento sobre as estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.



