BRB solicita ao STF que eventuais delações no caso Master destinem recursos para compensar prejuízos da instituição
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mantiveram um encontro na manhã desta quinta-feira (9) para discutir a delicada situação do Banco de Brasília (BRB). A instituição financeira movimentou bilhões de reais em operações com o Banco Master, alvo de investigações por suspeitas de gestão fraudulenta que podem ter causado sérios danos ao patrimônio do BRB.
Reunião técnica e institucional sem detalhes públicos
Em declarações ao g1, a governadora Celina Leão descreveu o encontro como "técnico e institucional", sem fornecer informações mais específicas sobre os temas abordados. A reportagem tentou obter posicionamentos tanto do BRB quanto do Banco Central sobre o conteúdo da reunião, mas não recebeu nenhum retorno oficial das instituições até o momento.
A governadora tinha como objetivo principal apresentar ao Banco Central um plano abrangente de recuperação financeira do BRB. A estratégia central deste plano envolve uma ação judicial destinada a retomar o controle sobre fluxos financeiros que atualmente se encontram em outras instituições bancárias.
Encontros em São Paulo e continuidade das tratativas
A reunião ocorreu na cidade de São Paulo, onde Celina Leão também deve se encontrar com representantes de diversas instituições financeiras na região da Faria Lima. Esses encontros complementares fazem parte das tratativas em busca de soluções sustentáveis para o banco público do Distrito Federal.
Afastamento de dirigentes ligados à gestão anterior
Na quarta-feira (8), um dia antes da reunião com o presidente do Banco Central, a governadora determinou o afastamento de 12 dirigentes do BRB que ainda mantinham vínculos com o antigo presidente do banco, Paulo Henrique Costa. Este ex-presidente está sendo investigado pela tentativa frustrada de compra do Banco Master, operação que está no centro das suspeitas de irregularidades.
A lista completa dos nomes afastados não foi divulgada publicamente. Celina Leão afirmou ao g1 que não teve acesso ao relatório entregue à Polícia Federal na terça-feira (7) pela auditoria independente contratada pela nova gestão do BRB. Este documento, conforme revelado pelo blog da Camila Bomfim no g1, poderá ser utilizado pela Polícia Federal para embasar novas denúncias criminais.
Foco da auditoria e preservação das investigações
A auditoria independente concentrou sua análise especificamente nos contratos e nas condutas dos executivos do BRB em suas relações com o Banco Master. Segundo a governadora, os afastamentos foram determinados "sem julgamento antecipado" e com o objetivo principal de preservar o trabalho das investigações em andamento.
Alguns dos executivos afastados já foram formalmente informados sobre suas demissões dos cargos de comando. Por serem servidores concursados, eles continuarão fazendo parte da equipe do BRB, mas serão realocados para funções que não envolvam tomada de decisões estratégicas ou gerenciais.
Comunicação aos acionistas e transparência de mercado
Como o BRB negocia ações na bolsa de valores, a instituição tem a obrigação legal de emitir um comunicado oficial aos acionistas nos próximos dias. Este comunicado deverá anunciar formalmente as mudanças na estrutura de comando do banco, garantindo a transparência necessária para os investidores e o mercado financeiro como um todo.
A reportagem do g1 tentou contato adicional com o Banco de Brasília para obter mais informações sobre os desdobramentos do caso, mas novamente não obteve resposta da instituição. A situação do BRB continua sendo monitorada de perto pelas autoridades financeiras e pelos órgãos de controle.



