Ex-presidente Jair Bolsonaro deixa UTI após dez dias de internação hospitalar
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta da unidade de terapia intensiva (UTI) nesta segunda-feira (23) e será transferido para um quarto no hospital onde está internado há dez dias. A confirmação foi feita pelo médico Brasil Caiado, integrante da equipe que acompanha o paciente.
Evolução clínica satisfatória permite mudança de ambiente
Mais cedo, o boletim médico já indicava que Bolsonaro deixaria a UTI caso mantivesse evolução clínica satisfatória. O ex-presidente está internado desde o último dia 13 de março, em Brasília, para tratamento de uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração.
Submetido a tratamento com antibióticos, vem apresentando melhora progressiva nos últimos dias. "[Bolsonaro] segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora", detalhou o boletim médico divulgado nesta segunda-feira. "Se mantiver evolução satisfatória, deverá receber alta da terapia intensiva nas próximas 24 horas."
Procuradoria-Geral da República apoia pedido de prisão domiciliar
Nesta mesma segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favorável ao pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa de Bolsonaro. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que a evolução clínica do ex-presidente recomenda flexibilização do regime prisional.
"A evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas", afirmou Gonet em sua manifestação.
Decisão final cabe ao ministro Alexandre de Moraes
Na última sexta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou ao hospital DF Star informações detalhadas sobre o quadro clínico de Bolsonaro. A instituição enviou ao ministro os boletins médicos e um prontuário completo do paciente.
Após a manifestação favorável da PGR, a decisão sobre a concessão da prisão domiciliar agora cabe exclusivamente ao ministro Moraes. O novo episódio de internação ampliou a pressão sobre o magistrado para que conceda o regime domiciliar ao político preso por golpe de Estado desde novembro.
Contexto da internação e quadro clínico
O ex-presidente está preso desde novembro, mas precisou ser transferido para o hospital DF Star no último dia 13 de março após passar mal. A equipe médica da Papudinha que o atendeu inicialmente constatou risco de morte e determinou a transferência urgente.
O médico Claudio Birolini chegou a classificar a situação como "extremamente grave", mas Bolsonaro respondeu bem aos antibióticos e apresentou melhora significativa ao longo da semana. Aos 71 anos, ele enfrenta uma série de complicações médicas decorrentes da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.
O esforço para obter a prisão domiciliar envolve inclusive dois ministros próximos a Moraes, que tentam convencê-lo a atender ao pedido da defesa. A decisão final deve considerar tanto aspectos médicos quanto jurídicos do caso.



