Áudios da PF revelam esquema bilionário de lavagem de dinheiro no funk com MCs presos
Áudios da PF revelam esquema bilionário de lavagem no funk

Áudios da PF revelam detalhes de esquema bilionário de lavagem de dinheiro no mundo do funk

Gravações obtidas pela Polícia Federal durante investigação sobre um suposto esquema estruturado de lavagem de dinheiro no universo do funk mostram tratativas diretas sobre valores e formas de circulação de recursos considerados suspeitos. Os áudios foram exibidos no programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (19), revelando diálogos entre o funkeiro MC Ryan e seu contador, Rodrigo Morgado.

Esquema movimentou mais de R$ 1,63 bilhão com atividades ilegais

Um inquérito conduzido pela Polícia Federal apura a existência de um esquema organizado de lavagem de dinheiro que teria movimentado valores bilionários a partir de atividades ilícitas, incluindo rifas clandestinas, apostas online e jogos não autorizados. Segundo os investigadores, os recursos obtidos nesse circuito seriam posteriormente inseridos na economia formal através de empresas de fachada, contratos de shows e movimentações financeiras ligadas a artistas e seus intermediários, com o objetivo claro de ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Os MCs Ryan e Poze do Rodo foram presos por suposto envolvimento neste esquema que teria movimentado mais de R$ 1,63 bilhão. A análise dos áudios levou a PF a sustentar que o artista MC Ryan não seria apenas um beneficiário indireto, mas teria conhecimento direto de parte das operações financeiras suspeitas.

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Diálogos revelam negociações sobre divulgação de apostas ilegais

Nos diálogos gravados, há menções explícitas a acordos financeiros e à necessidade de organizar entradas e saídas de dinheiro de forma a evitar suspeitas. Em um dos trechos exibidos, Rodrigo Morgado discute com MC Ryan a contratação do artista para divulgar casas de aposta ilegais.

"Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de aposta e queria saber quanto que tá pra você divulgar a casa dele", pergunta Morgado ao funkeiro. "Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 mil. Mas, se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 mil", respondeu Ryan, estabelecendo valores específicos para esse tipo de promoção.

Em outro momento das gravações, há referência direta a como fazer com que as movimentações financeiras não parecessem ilegais. Morgado orienta que bens não sejam declarados em nome de Ryan, afirmando: "Aqui nóis não brinca em serviço", demonstrando a intenção de evitar rastreamento pelas autoridades.

Estrutura complexa para ocultar origem ilícita dos recursos

De acordo com decisão judicial no processo que tramita na 5.ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, MC Ryan utilizaria empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com dinheiro arrecadado através de apostas ilegais e rifas digitais. A polícia afirma que ele criou mecanismos sofisticados para blindar seu patrimônio, transferindo participações societárias para familiares e laranjas.

O artista utilizaria uma rede extensa de operadores financeiros para disfarçar sua relação com o dinheiro ilícito proveniente de apostas antes de reinvesti-lo na compra de imóveis de luxo, veículos caros, joias valiosas e outros ativos de alto valor. As gravações também citam o papel fundamental do contador Rodrigo Morgado, apontado como responsável por estruturar a circulação financeira e orientar procedimentos específicos para evitar detecção pelas autoridades.

Defesa de MC Ryan afirma que valores têm origem comprovada

O advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, que defende MC Ryan, afirmou que não teve acesso completo ao procedimento investigatório, o que o impediria de se manifestar sobre detalhes específicos do caso. Ele ressaltou que seu cliente é uma pessoa íntegra e que "todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos".

Morgado, o contador envolvido nas gravações, está preso desde 2025, enquanto Ryan foi apontado pelas investigações como líder e principal beneficiário do esquema de lavagem de dinheiro.

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Operação Narco Fluxo prende mais de 30 investigados

A operação batizada de Narco Fluxo também resultou na prisão de Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, dono da Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do país. A investigação aponta que ele recebia "altos valores" de integrantes do grupo em troca de serviços como operador de mídia, o que consistia na divulgação de conteúdos específicos, promoção de apostas ilegais e gestão de imagem dos envolvidos. Não foi especificado o valor exato recebido por esses serviços.

A reportagem tentou contato com a defesa de Raphael através de email e mensagens enviadas às páginas administradas por ele, mas não obteve resposta até o momento da publicação. O cantor MC Poze foi preso na mesma operação, que ainda deteve mais de 30 investigados relacionados ao esquema. Seu advogado, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que desconhece o teor específico do mandado de prisão contra seu cliente.