Operação desbarata esquema de furto de combustíveis de dutos da Transpetro no Rio de Janeiro
Operação mira furto de combustíveis de dutos da Transpetro no RJ

Operação desmantela esquema milionário de furto de combustíveis no Rio de Janeiro

Uma operação conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil desbaratou nesta quinta-feira (22) uma organização criminosa especializada em furtar petróleo dos dutos da Transpetro. As investigações apontam que o esquema operava a partir de uma fazenda pertencente à família Garcia, clã historicamente ligado ao jogo do bicho no estado.

Propriedade com histórico documental

A fazenda alvo da operação foi recentemente retratada na série documental Vale o Escrito, disponível no Globoplay, que aborda a história do jogo do bicho no Rio. O haras pertence às filhas de Waldomiro Paes Garcia, conhecido como Maninho, ex-patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro nas décadas de 1990 e 2000.

Segundo as autoridades, o local era utilizado para perfurações clandestinas nos dutos da Transpetro, com o combustível sendo posteriormente transportado em caminhões-tanque por rotas interestaduais. O prejuízo estimado com os desvios ultrapassa R$ 6 milhões.

Estrutura criminosa complexa

De acordo com o delegado Pedro Brasil, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), a organização possuía uma estrutura funcional bem definida, com divisão de tarefas, hierarquia operacional e articulação entre diferentes estados. O ciclo criminoso incluía:

  • Perfuração clandestina dos dutos de petróleo
  • Proteção armada dos pontos ilegais de extração
  • Carregamento rápido em caminhões-tanque
  • Comercialização com notas fiscais falsificadas

A operação resultou na prisão de seis pessoas e no cumprimento de 13 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.

Ligações com figuras conhecidas do crime

As investigações revelaram que o haras da família Garcia foi administrado por Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) conhecido como Capitão Adriano. Após ser expulso da corporação, ele passou a trabalhar como segurança da família e, segundo promotores, chefiava o chamado Escritório do Crime, grupo formado por policiais e ex-policiais envolvidos em homicídios por encomenda.

Importante destacar que, até o momento, não há mandados contra membros da família Garcia, pois as investigações ainda não encontraram provas de que eles tinham conhecimento dos desvios ocorrendo em sua propriedade. Os atuais arrendatários do haras estão entre os principais suspeitos pelo furto.

Histórico violento da família

A família Garcia possui um passado marcado por violência. Shanna Garcia, uma das herdeiras do haras, foi alvo de disparos em 2019 na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes. Seu pai, Waldomiro Paes Garcia (Maninho), foi assassinado em 2004, seu irmão Myro Garcia morreu em 2017, e seu primeiro marido, José Luiz de Barros Lopes (Zé Personal), foi executado em 2011.

O clã dominou parte do jogo do bicho nas Zonas Norte e Sul do Rio de Janeiro entre as décadas de 1980 e 2000, período em que uma série de assassinatos reduziu significativamente seu poder na criminalidade carioca.

A operação representa um golpe significativo contra o crime organizado no estado, demonstrando a sofisticação dos esquemas de furto de combustíveis e as complexas redes de apoio que sustentam essas atividades ilegais.