Vereador de 72 anos é preso preventivamente por estupro de vulnerável em Minas Gerais
Antônio Tiveron Filho, de 72 anos, conhecido como Toninho Mineiro, foi preso na tarde de segunda-feira (13), em Pirajuba, no Triângulo Mineiro, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva. O parlamentar do União Brasil foi indiciado por estupro de vulnerável e a investigação da Polícia Civil revelou que ele tentou interferir nas investigações, utilizando influência política e econômica para acessar informações sigilosas e a rede de proteção à vítima.
Abusos ocorreram por cinco anos com ajuda da bisavó da vítima
A investigação conduzida pelo delegado Bruno Vinicius Cordeiro Martins concluiu que o vereador cometeu estupro de forma reiterada por cinco anos contra uma menina, quando ela tinha entre 8 e 14 anos de idade. Os abusos aconteciam semanalmente e eram intermediados pela bisavó da vítima, que recebia dinheiro em troca e trabalhava na casa do investigado.
Segundo o inquérito, a idosa também teria aliciado a própria neta — mãe da vítima — no passado. A mãe da criança não mantinha convívio com a filha e não tinha conhecimento dos abusos. A vítima era mantida em silêncio por meio de violência psicológica e ameaças de morte durante todo o período.
Vereador tentou se antecipar às ações policiais
O delegado destacou que o político buscou obter acesso a informações sigilosas e tentou se antecipar às ações policiais logo após tomar conhecimento das denúncias de abuso. Além das tentativas de monitorar a investigação, a polícia apurou que houve interferência direta no acolhimento institucional da vítima, embora os métodos exatos não tenham sido detalhados publicamente.
A rede de proteção, que Toninho Mineiro tentou acessar indevidamente, é o sistema responsável por garantir a segurança de menores em situação de risco. O delegado afirmou que a "objetificação da vítima e a pluralidade das ações criminosas" demonstram uma periculosidade incompatível com a liberdade do vereador.
Abusos cessaram quando vítima começou a resistir
Os abusos teriam cessado apenas quando, já na adolescência, a garota passou a resistir às imposições da bisavó e se recusou a continuar se encontrando com o vereador. A bisavó, que não teve o nome e idade divulgados, morreu em decorrência de câncer em 2025. A investigação durou três meses e começou após uma denúncia anônima.
Além da decretação da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros do parlamentar. A Câmara Municipal de Pirajuba afirmou, em nota, que não compactua com qualquer conduta ilícita e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Defesa alega inocência e problemas de saúde
Em nota, o advogado do vereador, Geovane Soares, afirmou que o cliente nunca esteve envolvido ou foi investigado por qualquer delito. A defesa destacou que Antônio Tiveron Filho é pessoa conhecida e bem-quista na comunidade, com atuação pública transparente ao longo de décadas.
O advogado argumentou ainda que o acusado possui residência fixa, vínculos familiares e sociais consolidados, e que se trata de idoso com 72 anos que enfrenta problemas de saúde relevantes, demandando acompanhamento contínuo. A defesa já está adotando medidas legais cabíveis e confia que o Poder Judiciário reconhecerá a ausência de fundamentos para a manutenção da prisão.
O g1 solicitou posicionamento ao União Brasil, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem. A investigação continua sob segredo de justiça, com a polícia coletando mais evidências sobre o caso que chocou a comunidade de Pirajuba.



