Seap investiga 'máfia de cigarros' em presídios do Rio de Janeiro com cinco policiais penais afastados
A Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro está conduzindo uma investigação aprofundada sobre cinco policiais penais que são suspeitos de participação ativa em um esquema criminoso organizado para facilitar a entrada irregular de cigarros em diversas unidades prisionais do estado. Este grupo, que vem sendo denominado internamente como "máfia interna", teve todos os seus integrantes afastados imediatamente de suas funções, incluindo um diretor de unidade que foi exonerado do cargo.
Disputa pelo monopólio e mortes violentas
De acordo com relatórios confidenciais da secretaria, existe uma disputa acirrada e violenta entre policiais penais pelo controle total e monopólio do fornecimento de cigarros dentro das cadeias do Rio. O grupo investigado era responsável por colocar, de forma completamente irregular e clandestina, uma quantidade massiva de cigarros no interior dos presídios. Todos os produtos envolvidos neste esquema eram ou contrabandeados ou falsificados, o que fortalece significativamente as suspeitas de envolvimento direto dos policiais penais com a famosa máfia de cigarros no Rio, que tem ligações comprovadas com Adilson Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Adilsinho foi preso no dia 26 de fevereiro em Cabo Frio, na Região dos Lagos, após anos de buscas intensas pelas autoridades. Um relatório detalhado da Seap indica que um grupo específico determinou que todo cigarro vendido nas unidades prisionais deveria pertencer exclusivamente à sua organização criminosa. A resistência feroz do grupo que detinha o monopólio anterior, segundo o documento oficial, desencadeou uma guerra sangrenta que teria ocasionado pelo menos três mortes violentas.
Execuções e investigações em andamento
Entre as vítimas está a execução brutal do policial penal Bruno Killier no Recreio dos Bandeirantes, em junho de 2023. Segundo a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Killier foi morto pelo grupo comandado por Adilsinho. Embora a investigação da DHC não tenha registrado oficialmente a participação do policial penal na venda de cigarros em presídios, fontes ouvidas pelo RJ2 não descartam absolutamente essa possibilidade. Bruno Killier atuava como subdiretor do presídio de Bangu 4 na época do crime.
Na ocasião da morte, a esposa dele confirmou categoricamente à polícia que o casal trabalhava diretamente com a venda de cigarros. Ainda segundo o relatório da Seap, a disputa pelo controle total dos cigarros nos presídios teria provocado outras duas mortes: de Cristiano de Souza, proprietário de uma tabacaria no Recreio dos Bandeirantes, e do ex-policial militar Daniel Mendonça.
Apreensões e novas regulamentações
Em 2025, a Seap realizou apreensões significativas, totalizando 1.400 maços de cigarro que foram enviados para o sistema penitenciário através dos correios ou durante visitas. Uma das cargas apreendidas mais expressivas foi de 400 maços em novembro de 2025. Essas apreensões repetidas levaram a Seap a abrir uma sindicância interna rigorosa para apurar responsabilidades.
Nas unidades prisionais do Rio, o cigarro funciona como uma espécie de moeda de troca poderosa, valendo como dinheiro vivo nas mãos dos presos. As suspeitas crescentes e os incidentes violentos levaram a Seap a publicar, em janeiro, uma resolução oficial que regulamenta estritamente a entrada de cigarros nas unidades prisionais.
A entrada dos itens nos presídios agora é permitida pela Seap desde que obedeça rigorosamente às seguintes regras estabelecidas:
- Podem entrar até 12 maços com os visitantes presenciais;
- Os itens também são vendidos através das cestas de custódia, um sistema de venda de produtos on-line para as famílias dos presos que estão devidamente cadastradas.
Além de produtos de higiene pessoal e alimentos básicos, há cigarros legalizados disponíveis neste sistema. A secretária Maria Rosa Nebel afirmou publicamente: "Acendeu um alerta vermelho para a Seap e, em razão disso, a gente decidiu aprimorar, normatizar, de uma forma que mais restringisse a entrada desse material pela família".
Segundo a Seap, o grupo suspeito de vender cigarros ilegais nas cadeias conta com o suposto apoio da contravenção penal de Duque de Caxias. Investigações conjuntas das polícias Civil e Federal confirmam que o grupo citado no relatório da Seap é comandado por Adilsinho, reforçando a gravidade e a extensão deste esquema criminoso dentro do sistema penitenciário fluminense.



