Policial penal é demitido após suspeita de homicídio em bingo clandestino de BH
Policial penal demitido por suspeita de homicídio em bingo de BH

Policial penal é demitido após suspeita de homicídio em bingo clandestino de Belo Horizonte

A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) determinou a demissão do policial penal Willian Lopes dos Santos, acusado de assassinar um jovem que teria insultado sua esposa e filha com termos ofensivos. O crime violento aconteceu no ano de 2024, no bairro Copacabana, localizado na região de Venda Nova, em Belo Horizonte.

Demissão pública por infração disciplinar grave

Conforme publicação oficial no Diário Oficial do Estado (DOE), a demissão do agente penitenciário foi consequência direta do descumprimento de normas e deveres previstos no estatuto dos servidores públicos. A medida configura uma infração disciplinar grave, passível de punição máxima, conforme estabelecido pela legislação estadual. Na época dos fatos, Willian Lopes dos Santos exercia suas funções na Penitenciária Nelson Hungria, situada no município de Contagem, na Grande Belo Horizonte.

Processo judicial por homicídio triplamente qualificado

Atualmente, o ex-policial penal responde judicialmente por homicídio triplamente qualificado perante a Justiça mineira. De acordo com informações fornecidas pelo advogado Gilmar Francisco, representante legal da família da vítima, ainda não existe uma data definida para o julgamento do caso criminal. "Estamos aguardando a próxima audiência, que ouvirá o acusado. A demissão do cargo com anotações no Diário Oficial foi uma vitória importante para a busca por justiça", declarou o profissional à TV Globo.

Reconstituição detalhada dos eventos criminosos

O crime ocorreu no dia 29 de junho de 2024, dentro de um estabelecimento de bingo clandestino no bairro Copacabana. Câmeras de segurança capturaram o momento exato em que Willian Lopes dos Santos adentrou o local e efetuou disparos contra David Alexandre Castorino Moreira, funcionário do caça-níquel, que tinha apenas 23 anos de idade.

Segundo investigações policiais, o motivo do homicídio estaria relacionado a mensagens trocadas em uma rede social. A vítima teria convidado uma adolescente de 17 anos para sair, mas a jovem recusou as investidas e ameaçou contar tudo para a namorada dele. Irritado, David começou a chamar a menina de "baranga".

A mãe da adolescente interveio na conversa digital, repreendendo o rapaz, que então usou o mesmo termo ofensivo para se referir à mulher e ainda fez comentários inadequados. Willian Lopes dos Santos, pai da adolescente, tomou conhecimento da situação e dirigiu-se até a loja de jogos de azar para confrontar o jovem.

Uma discussão acalorada se iniciou entre os dois homens e, em determinado momento, o agente penitenciário sacou uma arma, atirou contra David e fugiu do local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, mas constatou o óbito da vítima no local do crime.

Apresentação tardia e liberação do acusado

O policial penal somente se apresentou voluntariamente ao Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) quatro dias após o crime ser cometido. Por não estar em situação de flagrante delito no momento da apresentação, ele foi ouvido pelas autoridades e posteriormente liberado, aguardando o andamento processual.

Depoimento emocionado da companheira da vítima

David Alexandre Castorino Moreira vivia em união estável com Ana Carolina Lopes há aproximadamente dois anos quando foi brutalmente assassinado. Em entrevista concedida à TV Globo, a jovem relatou que o companheiro havia enviado uma mensagem para uma amiga do casal após uma desavença conjugal, com o único objetivo de provocar ciúmes.

"A gente tinha brigado e terminado momentaneamente. Então, para me fazer ciúmes, ele mandou uma mensagem para uma amiga minha dizendo que queria ficar com ela. Depois, esclareceu que nunca ficaria com ela de verdade e que ela era uma 'baranga'. Apenas isso! Nós éramos um casal muito feliz e unido", desabafou Ana Carolina, visivelmente abalada pela perda trágica.

O caso continua sob investigação detalhada das autoridades competentes, enquanto a família da vítima aguarda ansiosamente por justiça e o devido processo legal contra o acusado. A demissão do policial penal representa um passo significativo nas consequências administrativas do crime, mas o desfecho judicial ainda está por ser determinado.