Polícia Civil cumpre mandados contra suspeitos de agiotagem com policiais e agente penitenciário
Operação contra agiotagem prende policiais e agente penitenciário

A Polícia Civil do Tocantins cumpriu mandados de prisão preventiva contra dois policiais militares, um funcionário do sistema prisional e um homem apontado como agiota, na manhã desta sexta-feira (24). O grupo é investigado por associação criminosa armada voltada à cobrança ilegal de dívidas, com crimes como usura pecuniária e extorsão qualificada. As vítimas são uma idosa de 65 anos e seu filho, de 45 anos, que sofreram terror psicológico durante as cobranças.

Como ocorreram as ameaças

Segundo a investigação, em fevereiro de 2026, os três suspeitos – os dois policiais militares e o funcionário prisional – chegaram armados ao mercado que o filho mantinha na região sul de Palmas. Um dos policiais levantou a roupa para exibir a arma na cintura, intimidando a vítima. Eles permaneceram na porta do estabelecimento, com as mãos sobre o armamento, proferindo insultos e ameaças como “ou nós toma esse açogue ou as coisas vão ficar pior”. A vítima entrou em pânico.

No dia 2 de março de 2026, o grupo retornou ao mercado para cobrar novamente, forçando mãe e filho a encerrar as atividades comerciais e se mudar. A polícia teve acesso a diálogos que mostram o uso de terror psicológico, com menções a um “grupo de cobrança de fora” que teria “recebido a conta”.

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Dívida que virou bola de neve

A dívida começou em Guaraí, onde o empresário contraiu empréstimo com o agiota de 52 anos. Com juros mensais elevados, que chegaram a R$ 4 mil, o valor ficou impagável. O grupo cobrava duas dívidas: uma de R$ 104 mil e outra de mais de R$ 126 mil. A primeira, segundo a vítima, já havia sido quitada em 2024, mas o agiota continuou cobrando.

A investigação, conduzida pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Palmas, aponta que o grupo usava o prestígio dos cargos públicos e armamento de serviço para realizar as cobranças. Um dos investigados chegou a simular um registro de ocorrência para pressionar o pagamento.

Posicionamento das instituições

A defesa dos quatro suspeitos, representada pelo advogado Vinícius Moreira, informou que se manifestará após ter acesso aos autos, considerando prematuro qualquer comentário sobre os fatos.

A Polícia Militar do Tocantins afirmou que abriu procedimentos administrativos para apurar as denúncias e reforçou tolerância zero com desvios de conduta. Os dois policiais foram afastados das funções e tiveram o armamento recolhido por determinação da Justiça.

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que o funcionário prisional era contratado temporário e que já formalizou o pedido de extinção imediata do contrato. A pasta reiterou que não compactua com desvios de conduta ou uso indevido da estrutura estatal.

Investigações continuam

Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos. A operação, denominada Nêmesis, foi realizada em Guaraí, na região centro-norte do estado.

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