Novo capítulo judicial sobre morte de Maradona tem início na terça-feira
Um novo julgamento sobre as circunstâncias da morte do ídolo do futebol argentino Diego Maradona terá início na próxima terça-feira (14), marcando mais um capítulo no longo processo judicial que investiga o falecimento do campeão mundial de 1986. Sete profissionais que integravam sua equipe médica enfrentam acusações formais de homicídio por negligência, quase um ano após a anulação de um processo anterior que havia começado em março do ano passado.
O cenário do julgamento e os acusados
O tribunal da cidade de San Isidro, localizada nas proximidades de Buenos Aires, será o palco deste novo julgamento, onde serão ouvidos depoimentos de aproximadamente 100 testemunhas ao longo das audiências. Os réus que responderão ao processo são:
- A psiquiatra Agustina Cosachov
- O neurocirurgião Leopoldo Luque
- O psicólogo Carlos Ángel Díaz
- A médica Nancy Edith Forlini
- O enfermeiro Ricardo Almirón
- O enfermeiro-chefe Mariano Ariel Perroni
- O médico Pedro Pablo Di Spagna
Vale destacar que uma oitava ré, a enfermeira Dahiana Madrid, será submetida a um julgamento separado por um júri específico, cuja data ainda não foi definida pelas autoridades judiciais.
Contexto da anulação e detalhes do caso
A anulação do primeiro julgamento ocorreu apenas dois meses após seu início, quando uma das três juízas responsáveis pelo caso, Julieta Makintach, renunciou ao cargo após a divulgação pública de um vídeo que a mostrava sendo entrevistada por uma equipe de filmagem dentro dos corredores do tribunal e em seu próprio escritório. Essas imagens faziam parte de um documentário em produção, violando claramente as regras e protocolos estabelecidos pela justiça argentina.
Com o reinício do processo, tanto os promotores quanto os advogados de defesa precisarão reavaliar completamente suas estratégias jurídicas, especialmente considerando que o julgamento anterior já havia exibido uma ampla gama de evidências, incluindo fotografias, vídeos, gravações de áudio e laudos periciais forenses detalhados.
Testemunhas e argumentos das partes
Diversas testemunhas importantes já prestaram depoimentos durante o processo inicial, incluindo os filhos de Diego Maradona e sua ex-esposa, Claudia Villafañe. No primeiro julgamento, os promotores apresentaram argumentos contundentes, alegando que os profissionais médicos violaram sistematicamente os protocolos de tratamento estabelecidos para o paciente.
Os representantes do Ministério Público chegaram a descrever a casa onde Maradona estava se recuperando de uma cirurgia cerebral para remoção de um coágulo sanguíneo como um verdadeiro "teatro de horror", onde os cuidados médicos necessários não foram prestados adequadamente. Em contrapartida, a defesa dos acusados sustentou que a morte do ex-jogador era inevitável devido aos graves problemas de saúde que o acometiam há décadas, incluindo sua longa batalha contra o vício em cocaína e álcool.
Origens das acusações e possíveis penas
As acusações de negligência médica surgiram formalmente em 2021, quando os promotores designaram uma junta médica especializada para investigar minuciosamente as circunstâncias da morte de Maradona. O painel de especialistas concluiu, após análise detalhada, que sua equipe médica atuou de maneira "inadequada, deficiente e imprudente" durante todo o processo de tratamento e recuperação.
Diego Armando Maradona faleceu no dia 25 de novembro de 2020, aos 60 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco enquanto se recuperava da cirurgia cerebral mencionada anteriormente. Caso sejam considerados culpados pelas acusações de homicídio por negligência, os sete réus enfrentam penas de prisão que podem variar entre 8 e 25 anos de detenção, dependendo da gravidade atribuída a cada caso específico pela justiça argentina.



