Novas acusações de assédio sexual envolvem oficial réu por feminicídio de colega
Um novo capítulo sombrio surge no caso do tenente-coronel Geraldo Neto, réu pelo feminicídio da policial militar Gisele Alves Santana. Uma colega de farda, cuja identidade permanece em sigilo por temor de retaliações, apresentou uma denúncia formal alegando ter sido vítima de assédio sexual por parte do oficial. O episódio teria ocorrido no segundo semestre do ano passado, período em que Neto ainda era casado com a própria Gisele, também integrante da corporação.
Detalhes perturbadores do suposto assédio
Em depoimento, a policial relatou que o tenente-coronel tentou beijá-la à força, em uma clara investida não consentida. Após recusar firmemente as investidas, ela afirma ter sido transferida de batalhão como uma forma de vingança por parte do superior. "Ele tentou induzi-la a praticar atividade física sem a vontade própria desta policial, ele a cercou de todas as formas", declarou o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, reforçando a gravidade das alegações.
O caso será minuciosamente analisado pela Corregedoria da Polícia Militar, que terá a responsabilidade de apurar os fatos e determinar possíveis sanções disciplinares. Esta não é, contudo, a primeira vez que o nome do tenente-coronel é associado a condutas inadequadas dentro da instituição.
Histórico de acusações e impunidade anterior
Além desta nova denúncia, Geraldo Neto já havia sido alvo de acusações de assédio moral contra pelo menos quatro policiais mulheres em 2022, quando comandava outra unidade da PM. Na ocasião, segundo a defesa do oficial, as agentes teriam espalhado rumores sobre um suposto relacionamento entre ele e Gisele, situação que ambos negavam veementemente. Notavelmente, o tenente-coronel não sofreu qualquer punição nesses casos anteriores, levantando questões sobre a eficácia dos mecanismos internos de apuração.
Paralelamente, uma outra policial do mesmo batalhão processou o Estado de São Paulo por assédio moral e obteve uma indenização de R$ 5 mil, evidenciando um padrão preocupante de condutas abusivas que parecem ter sido toleradas por um tempo considerável.
Revelações recentes e impacto nas investigações
O programa Fantástico, exibido no domingo (22), trouxe à tona novas imagens do oficial momentos após o disparo que resultou na morte de Gisele Alves. Estas imagens têm potencial para agregar elementos cruciais às investigações em andamento. Segundo o advogado da família da vítima, a prisão do tenente-coronel e os avanços nas apurações têm proporcionado um certo alívio aos familiares, que buscam justiça há meses.
A sobreposição de casos – o feminicídio e as múltiplas denúncias de assédio – pinta um quadro alarmante de supostos abusos de poder e violações éticas dentro da corporação. A sociedade aguarda, com expectativa, que a Corregedoria e a Justiça atuem com rigor para esclarecer todos os fatos e garantir que responsabilidades sejam devidamente atribuídas.



