MP-SP denuncia mais quatro suspeitos por assassinato de ex-delegado em Praia Grande
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) apresentou denúncia nesta quinta-feira (19) contra mais quatro indivíduos acusados de planejar e executar o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos. O crime ocorreu em 15 de setembro de 2025, na cidade de Praia Grande, localizada no litoral paulista.
Detalhes da denúncia e prisões
Foram denunciados Fernando Alberto Ribeiro, Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, Márcio Serapião de Oliveira e Robson Roque Silva de Sousa. A Justiça decretou a prisão preventiva dos quatro acusados. Até o momento, os três primeiros já foram capturados, enquanto Robson Silva de Sousa permanece foragido, conforme informações do Ministério Público.
Esta nova denúncia representa a conclusão da segunda fase das investigações, conduzidas por uma força-tarefa criada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) após a execução de Ruy Ferraz Fontes. Em novembro de 2025, outras oito pessoas já haviam sido denunciadas pela participação no mesmo crime, totalizando agora doze indivíduos envolvidos nas acusações.
Motivação do crime e investigações
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o ex-delegado era alvo de uma ordem de morte emitida pelo alto escalão da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A motivação seria uma retaliação direta à atuação de Ruy contra a organização durante sua carreira. Inicialmente, havia a hipótese de que o assassinato estivesse relacionado à gestão dele como secretário municipal em Praia Grande, mas essa linha de investigação foi descartada pelo Ministério Público.
Segundo a denúncia elaborada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a execução foi encomendada pela chamada “sintonia geral” da facção, instância responsável por autorizar homicídios dentro da organização criminosa.
Os oito denunciados anteriores
O MP-SP já havia denunciado oito pessoas pela execução do ex-delegado, com acusações que incluem duas tentativas de homicídio, porte ilegal de armas de uso restrito, favorecimento pessoal e participação em organização criminosa armada. Entre os denunciados estão:
- Felipe Avelino da Silva (Mascherano): Responsável por furtar o Jeep Renegade usado na ação, esconder o veículo e instalar placas falsas. Impressões digitais dele foram encontradas no carro.
- Flávio Henrique Ferreira de Souza: Ligado ao Jeep Renegade furtado junto com Felipe; digitais dele também foram achadas no veículo. Está foragido.
- Luiz Antonio Rodrigues de Miranda: Participou do planejamento, usou imóveis de apoio e ajudou a ocultar armas após o crime. Foragido.
- Dahesly Oliveira Pires: Transportou e ocultou fuzil, carregadores e munições no dia seguinte ao crime, para proteger os executores.
- Willian Silva Marques: Cedeu sua casa em Praia Grande como esconderijo e depósito de armas. Testemunhas relataram que ele sabia do uso ilícito do imóvel.
- Paulo Henrique Caetano de Sales: Integrante do grupo, participou da logística e esteve em imóveis usados como base. Preso.
- Cristiano Alves da Silva: Atuou na execução e na logística; possui antecedentes por roubo e receptação. Preso.
- Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Fiel/Penélope): Apontado como recrutador e organizador do grupo. Integrante do PCC em posição de “disciplina” no Grajaú, com ascendência sobre os demais. Conversas interceptadas mostram que ele escalou executores e planejava fuga para o exterior.
Quem era Ruy Ferraz Fontes?
Ruy Fontes atuou como delegado-geral de São Paulo entre 2019 e 2022, acumulando mais de 40 anos de serviço na Polícia Civil. Ele foi uma figura central no combate ao crime organizado, sendo pioneiro nas investigações sobre o Primeiro Comando da Capital. Durante sua gestão, Ruy liderou a transferência de chefes do PCC de presídios paulistas para unidades federais em outros estados, uma medida considerada estratégica para enfraquecer o poder da facção dentro das cadeias.
Seu legado na segurança pública paulista é marcado por ações decisivas contra o crime organizado, o que, segundo as investigações, culminou em sua execução como forma de retaliação pelo PCC.



