Justiça mantém data para julgamento de motorista acusado de atropelar idoso em ato do MST
A Justiça de Valinhos, no interior de São Paulo, negou nesta quinta-feira (19) o pedido da defesa que buscava adiar novamente o julgamento do motorista acusado de atropelar e matar um manifestante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O caso ocorreu em julho de 2019, durante um ato na ocupação "Marielle Vive", e resultou na morte de Luís Ferreira da Costa, de 72 anos, além de deixar outras cinco pessoas feridas, incluindo um jornalista que registrava o evento.
Decisão judicial considera atuação da defesa como ilegal
O juiz Geraldo Fernandes Ribeiro do Vale considerou "ilegal" a atuação dos advogados na primeira tentativa de realizar o júri, que começou em novembro do ano passado, mas foi interrompido quando a defesa abandonou o plenário em protesto após ter um pedido de adiamento negado. Segundo o magistrado, essa atitude provocou o próprio adiamento do julgamento, caracterizando uma manobra processual inadequada.
Na nova solicitação, a defesa pediu um sorteio de jurados com base na lista de 2026 e o adiamento da sessão marcada para 25 de março. No entanto, o juiz destacou que o sorteio já havia sido realizado em outubro de 2025, com a presença da defesa, que não apresentou contestação na época. Ele avaliou que não há justificativa para alterar a composição agora, o que poderia abrir margem para tentativas de mudança por mera discordância com os nomes sorteados.
Detalhes do caso e reações
O acusado, Leo Luiz Ribeiro, que tinha 60 anos à época do incidente, avançou com uma caminhonete sobre um grupo de manifestantes, levando à morte de Luís Ferreira. Ribeiro fugiu do local, mas foi preso em Atibaia (SP) após seu carro ser identificado por vídeos de um ônibus parado na manifestação. Em depoimento à Polícia Civil, ele alegou que acelerou por medo, após o veículo ser cercado pelos participantes do ato, que contava com cerca de 400 pessoas, metade das quais ocupava a estrada, bloqueando o trânsito.
Segundo o advogado do MST, Alfredo Bonardo, o motorista estava em alta velocidade no momento do atropelamento. A ocupação Marielle Vive, estabelecida em abril de 2018 na Estrada do Jequitibá, abriga aproximadamente 1 mil famílias, e Luís Ferreira era um dos moradores. Após o ocorrido, integrantes do movimento protestaram pela morte do idoso, destacando a violência do episódio.
Com a decisão judicial, o júri foi mantido para a próxima quinta-feira (25), às 9h, em Valinhos. O caso continua a gerar atenção pública, refletindo tensões em conflitos agrários e questões de segurança em manifestações.



