Ex-vereador do Ceará é preso por latrocínio de idoso no Piauí
O ex-vereador por Tianguá, Juliano Magalhães Coelho, conhecido como "Juliano Importados", foi preso na tarde desta segunda-feira (20), suspeito de participar de um latrocínio contra um idoso de 77 anos no estado do Piauí. O crime, ocorrido no início de abril, resultou na morte da vítima e envolveu um roubo de aproximadamente R$ 500 mil.
Detalhes do crime violento contra idoso
O idoso Antônio Pereira de Carvalho, conhecido como "Totonho", foi abordado por dois homens que chegaram à sua casa na zona rural de Batalha (PI) com o pretexto de negociar madeira. Após serem conduzidos a um galpão, os suspeitos anunciaram o assalto, renderam o idoso, amarraram suas mãos e pés, e o amordaçaram. Em seguida, subtraíram um cofre contendo cerca de R$ 500 mil em dinheiro.
O idoso foi encontrado desacordado com marcas de violência e, apesar de ter sido socorrido, não resistiu. O laudo pericial apontou que a vítima sofreu um infarto provocado pelo intenso estresse físico e emocional durante a ação criminosa, o que caracteriza o crime de latrocínio. Além do cofre, os criminosos fugiram levando um caminhão que Antônio havia comprado de Juliano Magalhães.
Prisão em área de difícil acesso e investigações
A prisão de Juliano ocorreu em uma chácara localizada no sítio Riachinho, em uma área de difícil acesso no município de Tianguá. A Polícia Civil do Piauí cumpriu mandados de busca e apreensão, além de prisão, no Ceará. Durante as operações, foram apreendidos:
- Armas de fogo
- Munições
- Aparelhos celulares
- Quantia em dinheiro
As investigações apontaram que o crime foi premeditado e com divisão de tarefas entre os suspeitos. Juliano e seu pai, Sebastião Fernandes, teriam atuado no levantamento de informações sobre a vítima, enquanto outros três suspeitos participaram diretamente do assalto. Os criminosos estiveram no local dias antes do crime, quando tiveram acesso ao galpão e visualizaram o cofre.
Perfil do ex-vereador e contradições
Juliano Magalhães Coelho, de 43 anos, exerceu o mandato como vereador entre 2021 e 2024. Ele tentou a reeleição, mas ficou entre os suplentes. Além da carreira política, é empresário do ramo de veículos de carga e possui uma loja de tecnologia no centro de Tianguá.
No perfil oficial na página dos vereadores da cidade, ele se descrevia como "um homem íntegro, humano e humilde que gosta de ajudar ao próximo" e afirmava ser "trabalhador, desempenhado, que busca oferecer o seu melhor em tudo que faz". Contraditoriamente, Juliano também foi investigado por incitar o suicídio da própria mulher em agosto de 2024.
Vídeo com a vítima e destruição de evidências
Pouco antes do crime, Juliano chegou a gravar um vídeo com a vítima, no qual parabenizava Antônio pela aquisição do caminhão e desejava que o veículo trouxesse "coisas boas" para sua vida. No dia seguinte ao latrocínio, o caminhão foi localizado incendiado às margens da rodovia PI-110, em uma tentativa de destruir evidências.
O delegado titular de Barras, Welder Melo, destacou que o caso foi tratado com prioridade máxima desde o início, com diligências contínuas e integradas. Já o superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, enfatizou a gravidade do crime, praticado contra um idoso com planejamento e divisão de tarefas.
A polícia cumpriu outros três mandados de prisão relacionados ao latrocínio, mas as identidades desses suspeitos não foram divulgadas. O pai do ex-vereador também foi preso, e o g1 não conseguiu localizar a defesa dos acusados para comentar o caso.



