Esposa planeja assassinato do marido com amante adolescente para ficar com bens em Roraima
Esposa planeja morte do marido com amante adolescente por bens

Família de taxista assassinado em Roraima clama por justiça três anos após crime

A dor da perda se mistura com a sensação de impunidade para a família do taxista Mário Araújo de Oliveira, morto a tiros aos 39 anos enquanto dormia em setembro de 2023. "A dor não acaba nunca", desabafa Maria Antônia Santos de Almeida, mãe da vítima, que aguarda ansiosamente pelo julgamento dos acusados.

Plano meticuloso para ficar com patrimônio

Segundo as investigações da Polícia Civil, o assassinato foi cuidadosamente planejado pela então esposa de Mário, Auana Sagica Ribeiro, de 26 anos. A motivação seria puramente financeira: ficar com todos os bens do marido, incluindo casa, táxi e alvará de circulação, sem precisar dividir em um processo de separação não amigável.

Para executar o crime, Auana contou com a ajuda do amante, Thiago Galvão Paulino, que na época tinha apenas 16 anos, e do tio dele, Enoque Galvão Paulino, de 28 anos. O trio arquitetou uma farsa para tentar encobrir o homicídio premeditado.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Farsa do assalto e reviravolta com celular

Inicialmente registrado como latrocínio (roubo seguido de morte), o caso tomou um rumo diferente quando a polícia descobriu que a invasão à residência do casal foi encenada. Minutos antes do crime, o adolescente e o tio estavam em um bar próximo e pediram emprestado o celular de um homem para avisar Auana que estavam a caminho.

O dono do aparelho, ao ler as conversas no dia seguinte, tentou extorquir R$ 20 mil de Auana pelo silêncio. Como não recebeu o pagamento, entregou as capturas de tela das mensagens para as irmãs de Mário, fornecendo a prova fundamental que desmontou a trama.

Execução fria e comportamento suspeito

De acordo com o inquérito, na noite do crime, Auana facilitou a entrada dos assassinos na residência. Para simular o assalto, a dupla entrou no quarto encapuzada, com um deles gritando "eu falei que ia voltar". Enoque imobilizou o taxista enquanto o adolescente atirou três vezes com o revólver calibre .38 da própria vítima.

O cunhado de Mário, Edivan Alves, destacou que as desconfianças sobre a participação de Auana começaram imediatamente: "Logo no outro dia, quando o corpo dele chegou, a gente começou a suspeitar porque ela não demonstrou sentimento. Em algum momento ela mostrava ar de deboche, chegou a sorrir".

Situação processual e apelo familiar

Atualmente, Auana Sagica Ribeiro e Enoque Galvão Paulino são réus desde novembro de 2024 e devem ir a júri popular, mas a Justiça ainda não definiu a data. Ambos respondem ao processo em liberdade, pois em novembro de 2024 a Justiça negou um pedido de prisão preventiva.

O processo contra Enoque foi desmembrado porque ele segue foragido. Já Thiago Galvão Paulino, que hoje tem 18 anos, responde na Vara da Infância e da Juventude por ter sido adolescente na época do crime e atualmente está preso por outro delito.

A defesa de Auana recorreu da decisão que a mandou a júri em janeiro de 2026, o que atrasou a marcação da data do julgamento. Familiares do taxista pedem agilidade: "Pela quantidade de provas, a gente sabe que tem como acelerar esse processo para a família poder dormir se sentindo mais aliviada", conclui Edivan Alves.

Provas contundentes

Além das mensagens no celular, a polícia anexou ao processo um áudio vazado em que o adolescente confessa "friamente" a autoria dos disparos. As investigações também revelaram que, logo no dia seguinte ao assassinato, Auana procurou o filho da vítima acompanhada de um advogado para tentar um acordo rápido sobre a divisão exclusiva dos bens.

O Tribunal de Justiça de Roraima foi procurado para informar quando o caso será levado a júri popular, mas não respondeu até a última atualização. A reportagem tentou contato com Auana Sagica, mas ela não quis se manifestar sobre o caso.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar