Detento sofre ataque com arma artesanal dentro de presídio em Porto Velho
Um detento ficou gravemente ferido após ser atacado com um objeto perfurocortante artesanal, conhecido como "xunxo", dentro da Penitenciária Jorge Thiago Aguiar Afonso, popularmente chamada de 603, em Porto Velho, Rondônia. O incidente violento ocorreu no início desta semana e expõe mais uma vez os graves problemas de segurança no sistema prisional brasileiro.
Detalhes do ataque violento
Segundo informações da Polícia Civil, a vítima se aproximava da cela de outro interno quando foi surpreendida pelo ataque. O agressor utilizou um buraco na estrutura da cela para lançar o objeto artesanal, que atingiu o detento diretamente no olho direito. O "xunxo" é confeccionado clandestinamente pelos próprios presos utilizando barras de ferro das celas, demonstrando a precariedade das instalações e a criatividade criminosa dentro do sistema carcerário.
Resposta imediata das autoridades
A equipe de plantão do presídio agiu rapidamente ao perceber a gravidade da situação. Os agentes acionaram imediatamente a direção da unidade prisional e prestaram os primeiros socorros na enfermaria do Centro de Detenção Provisória, conhecido como Urso Branco. Após avaliação médica inicial, ficou evidente que o ferido necessitava de atendimento especializado, sendo então encaminhado ao Hospital João Paulo II.
O detento permaneceu sob escolta da Polícia Penal durante toda a internação hospitalar, garantindo a segurança do procedimento médico e impedindo qualquer tentativa de fuga. A vítima recebeu tratamento adequado para a lesão ocular, mas o prognóstico completo ainda depende de avaliações médicas mais detalhadas.
Comportamento agressivo do suspeito
Após cometer o ataque, o suspeito começou a apresentar comportamento extremamente agressivo, recusando-se a cooperar com as autoridades e a entregar a arma utilizada no crime. Diante da escalada da tensão e do risco iminente para outros detentos e funcionários, foi necessário acionar o Grupo de Ações Penitenciárias Especiais (GAPE) para intervir na situação.
Os policiais penais do GAPE realizaram operação de contenção em todo o bloco onde ocorreu o incidente. Durante revista minuciosa nas celas, foram encontrados diversos objetos perfurocortantes artesanais semelhantes ao utilizado no ataque, evidenciando a proliferação de armas improvisadas dentro da unidade prisional.
Medidas tomadas após o incidente
O suspeito foi imediatamente removido da cela e encaminhado à Central de Flagrantes, onde foi apresentado à autoridade policial para as providências legais cabíveis. A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) emitiu nota oficial informando que a situação foi prontamente controlada pela Polícia Penal, que atuou de forma decisiva para preservar a integridade física dos custodiados e restabelecer a ordem na unidade prisional.
A Sejus destacou em seu comunicado que mantém protocolos de segurança rigorosos para lidar com incidentes desta natureza, mas reconhece os desafios constantes do sistema carcerário. A pasta afirmou que investigações internas estão em andamento para apurar todas as circunstâncias do caso e identificar possíveis falhas de segurança que possam ter contribuído para o incidente.
Contexto do sistema prisional
Este não é o primeiro caso de violência registrado na Penitenciária Jorge Thiago Aguiar Afonso, que tem histórico de conflitos entre facções e rebeliões. A unidade, que opera acima de sua capacidade original, enfrenta problemas crônicos de superlotação, falta de recursos humanos adequados e infraestrutura precária, fatores que contribuem para o aumento da violência entre os presos.
Especialistas em segurança pública alertam que a presença de armas artesanais dentro das penitenciárias representa risco constante tanto para os detentos quanto para os agentes penitenciários. A fabricação desses objetos demonstra a capacidade de organização criminosa mesmo dentro do sistema de privação de liberdade, exigindo medidas de vigilância mais eficazes por parte das autoridades.
A Polícia Penal de Rondônia reforçou que continuará com operações de revista periódicas em todas as unidades prisionais do estado, com o objetivo de coibir a entrada e fabricação de objetos proibidos. A corporação também anunciou que intensificará a capacitação dos agentes para lidar com situações de crise, visando prevenir novos incidentes violentos como o ocorrido nesta semana.



