Defesa de Martha Graeff nega conhecimento sobre plano milionário de Daniel Vorcaro
A defesa de Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirma categoricamente que a modelo e influenciadora digital não tinha conhecimento sobre qualquer plano de transferência de patrimônio milionário para o seu nome. Segundo o advogado Lúcio de Constantino, em entrevista ao programa Estúdio i, Martha não possui bens vinculados ao empresário e atualmente reside em um apartamento alugado nos Estados Unidos.
Investigação aponta mensagens sobre trust de R$ 520 milhões
A investigação da Operação Carbono Oculto revelou trocas de mensagens nas quais Daniel Vorcaro discutia a criação de um trust (fundo fiduciário) para Martha Graeff, com valores que poderiam ultrapassar a impressionante quantia de R$ 520 milhões. Contudo, o advogado defensor sustenta que o patrimônio da modelo permanece exatamente o mesmo de antes do relacionamento.
"A Martha possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento com o senhor Daniel Vorcaro. Basta examinar as declarações de renda", afirmou Constantino durante a entrevista. "Ela inclusive questionou o que era um trust nas mensagens. Ela não sabia o que significava."
Modelo pesquisou significado do termo financeiro
De acordo com o relato do advogado, Martha Graeff chegou a pesquisar em ferramentas de inteligência artificial o significado do termo financeiro utilizado pelo então noivo. Após as mensagens sobre o pedido de seu passaporte para a abertura do fundo, o assunto teria sido abandonado nas conversas rotineiras do casal.
"Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela", explicou o defensor. Sobre os supostos bens de luxo mencionados nas investigações, como casas em Miami e carros Rolls-Royce, Constantino foi enfático: "Ela não conhece nada disso. Eu perguntei: 'Martha, tu mora onde?'. Ela mora de aluguel. O patrimônio que ela tem foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais."
Mensagens com citação a ministro do STF
O caso também envolve mensagens nas quais Daniel Vorcaro relata encontros com políticos e cita especificamente o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Em uma das conversas, o banqueiro sugere estar em uma ligação de vídeo com o ministro enquanto Martha estava de pijama.
Constantino afirmou que ainda não conversou detalhadamente com sua cliente sobre esse episódio específico, mas criticou veementemente a exposição pública do conteúdo. "São milhares de informações desorganizadas. Se há uma mensagem que traz uma autoridade, o caminho é a quebra de sigilo e a investigação séria, não a mídia agressiva sobre a intimidade de uma mulher", defendeu o advogado.
Depressão e violação da privacidade
O advogado relatou que Martha Graeff entrou em um quadro de depressão após o vazamento das mensagens íntimas. A defesa classifica a divulgação como uma "violência criminosa" com claro desvio de finalidade.
"Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem divulgou esses dados", afirmou Constantino. A defesa já estuda medidas judiciais contra essa exposição indevida.
Convocatória para a CPI do Crime Organizado
Sobre a aprovação da convocação de Martha Graeff pela CPI do Crime Organizado, o advogado afirmou que o depoimento pode estar juridicamente prejudicado. Ele citou uma decisão judicial que teria vedado o acesso a determinadas mensagens.
"Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada", concluiu Constantino, acrescentando que Martha se via apenas como namorada de um homem que se apresentava publicamente como bilionário de sucesso, sem desconfiar de quaisquer irregularidades.



