Jogadores da Inter e Milan são investigados por ligação com esquema de prostituição de luxo
A Promotoria de Milão abriu uma investigação criminal de grande porte sobre uma rede de exploração sexual que teria envolvido aproximadamente cinquenta jogadores da primeira divisão italiana, incluindo atletas dos tradicionais clubes Inter de Milão e AC Milan. A organização criminosa oferecia pacotes completos de festas com prostitutas, hospedagem em hotéis cinco estrelas e consumo de óxido nitroso, conhecido popularmente como "gás do riso".
Esquema milionário com festas exclusivas
Segundo reportagem detalhada do jornal italiano Gazzetta dello Sport, publicada nesta terça-feira, quatro pessoas já foram colocadas em prisão domiciliar, suspeitas de comandar a rede criminosa que operava desde 2019 e manteve suas atividades mesmo durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19. A investigação, conduzida pela promotoria de Milão com apoio da polícia econômica-financeira, aponta que uma agência de eventos com sede em Cinisello Balsamo, na região metropolitana de Milão, organizava encontros exclusivos para clientes de alto poder aquisitivo.
Entre os participantes estariam não apenas jogadores de futebol, mas também empresários, celebridades e até um piloto de Fórmula 1, citado em escutas telefônicas interceptadas pelas autoridades. Os principais suspeitos são Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, casal que administrava o negócio ilegal. Ambos, assim como outros dois colaboradores, enfrentam acusações de favorecimento e exploração da prostituição, além de lavagem de dinheiro.
Pacotes luxuosos e valores exorbitantes
De acordo com as investigações em andamento, a empresa oferecia "pacotes completos" que incluíam:
- Jantares em restaurantes sofisticados da elite milanesa
- Festas em casas noturnas exclusivas
- Hospedagem em hotéis cinco estrelas
- Viagens organizadas para destinos como Mykonos, na Grécia
Os valores pagos pelos clientes chegavam a milhares de euros por noite, em um esquema que teria movimentado mais de 1,2 milhão de euros desde seu início. Parte da operação também era divulgada abertamente nas redes sociais, através do perfil da empresa que era seguido por diversos jogadores profissionais.
Dinâmica criminosa e violações
Embora a prostituição não seja ilegal na Itália quando exercida de forma voluntária, a legislação italiana proíbe rigorosamente sua exploração por terceiros. Segundo os promotores responsáveis pelo caso, há fortes indícios de que mulheres eram recrutadas pela agência e, em diversos casos, forçadas a participar das atividades contra sua vontade.
Testemunhos coletados pelas autoridades indicam que parte das jovens - tanto italianas quanto estrangeiras, com idades entre 18 e 30 anos - vivia na própria sede da empresa em Milão, pagando pela hospedagem precária. Elas ficavam com aproximadamente 50% do valor pago pelos clientes, enquanto o restante era retido pelos organizadores do esquema.
As escutas telefônicas divulgadas pelo jornal italiano ajudam a detalhar a dinâmica criminosa. Em uma conversa interceptada, um intermediário menciona claramente: "Vou mandar a brasileira para ele". Em outro trecho, há referência explícita a um piloto de Fórmula 1 interessado em contratar os serviços ilegais.
Casos graves e uso de substâncias
A investigação revelou situações particularmente graves, incluindo o caso de uma mulher que teria engravidado após um encontro com um cliente durante uma das festas organizadas pela rede. Outro ponto central do inquérito é o uso sistemático de óxido nitroso nas festas, substância inalável que provoca euforia rápida e não deixa vestígios detectáveis no organismo, tornando-se indetectável em exames antidoping convencionais.
Apesar da dimensão significativa do caso e do número elevado de envolvidos, os nomes específicos dos jogadores e demais clientes participantes não foram divulgados publicamente. Documentos judiciais mantêm as identidades sob sigilo absoluto, referindo-se aos participantes apenas de forma genérica para preservar a integridade das investigações em curso.
A Promotoria de Milão continua trabalhando ativamente no caso, que expõe uma faceta obscura do mundo do futebol profissional italiano e da elite financeira da região, revelando conexões preocupantes entre esporte, poder econômico e criminalidade organizada.



