Polícia Civil investiga morte de mais de 50 animais envenenados em Salinas
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de mais de 50 cães e gatos com suspeita de envenenamento em Salinas, no Norte de Minas Gerais. Os casos começaram no fim de abril e se intensificaram em maio, gerando indignação entre moradores e protetores de animais.
Primeiros casos e aumento das mortes
As primeiras ocorrências foram registradas em 26 de abril, quando dois cães e cinco gatos apareceram mortos na Rua José Pacífico de Oliveira. Desde então, o número de casos cresceu. Denúncias encaminhadas à polícia pela Associação de Proteção Animal de Salinas e pela Vigilância Ambiental indicam que as mortes se intensificaram no início de maio, especialmente entre os dias 10 e 11, quando cerca de 12 cães foram encontrados mortos em curto intervalo de tempo. A maioria dos animais era comunitária, recebendo cuidados de moradores e comerciantes da região central, perto do Mercado Central, restaurantes, farmácias e um banco. Pelo menos três tinham tutores.
Sintomas e relatos de voluntários
A voluntária da ONG Proteção Animal Salinas, Paloma de Oliveira, relatou que alguns animais foram socorridos com vida, apresentando tremores, salivação intensa, sangramento e dificuldade para se levantar. “Conseguimos levar dois cães para atendimento veterinário, mas um morreu no mesmo dia e o outro ficou internado por quatro dias antes de morrer”, contou. Mesmo após a repercussão, novos casos continuaram sendo denunciados. “Ainda recebemos relatos muito parecidos. Muitos animais já morreram e outros continuam expostos nas ruas. Precisamos descobrir quem está fazendo isso”, disse.
Moradores afetados
A autônoma Maria de Lourdes Lucas perdeu dois cães após um episódio na área central. “Eu estava no mercado com eles e não demorou cinco minutos para começarem a passar mal. Levei ao veterinário e ele suspeitou de chumbinho. Quero justiça”, afirmou. A comerciante Sandra Martins dos Santos Reis também perdeu dois cães da família, incluindo Chico, de 16 anos, e uma cadela grávida. “Além dos meus, sete cachorros comunitários que ajudávamos a cuidar na praça também morreram. A sensação é de impotência”, desabafou.
Investigação em andamento
A polícia informou que testemunhas já foram ouvidas e perícias técnicas foram requisitadas para identificar a substância causadora das mortes. Imagens de câmeras de segurança mostram um homem em bicicleta circulando perto dos locais com maior concentração de casos. As imagens estão sendo analisadas. Nenhum suspeito foi identificado até o momento. O Ministério Público acompanha o caso e aguarda a conclusão das investigações.



