Parque do Sabiá em Uberlândia é investigado por possível contaminação ambiental
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou, em fevereiro, um Inquérito Civil para apurar um possível dano ambiental no Parque do Sabiá, localizado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O procedimento, registrado como 'aberto', tramita na 10ª Promotoria de Justiça especializada em Meio Ambiente e aguarda a perícia técnica para prosseguir.
Denúncia e laudo técnico revelam situação crítica
A investigação teve início após a denúncia da vereadora Amanda Gondim (PSB), reforçada pela vistoria e laudo da bióloga Ana Lúcia Bonfim, que veio a público recentemente. Imagens divulgadas mostram acúmulo de lixo e vegetação próxima a tubulação pluvial dentro da área de preservação.
"É muito triste, muito doloroso, principalmente para quem trabalha na área ambiental. Os indícios são perceptíveis a olho nu", declarou a bióloga. Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou a retirada de entulhos, e um vídeo registrado nesta quarta-feira (18) mostrou o local com menos poluentes.
Problema antigo encoberto pela vegetação
Em entrevista à TV Integração, Ana Bonfim, responsável pelo laudo técnico de constatação de Crime Ambiental na Unidade de Conservação, relatou que o problema, encoberto por bambuzais e vegetação densa, pode estar ocorrendo há mais de duas décadas, desde a instalação de manilhas que deveriam conduzir apenas águas pluviais.
Durante a vistoria, a bióloga destacou que tubulações destinadas à drenagem pluvial estariam despejando esgoto doméstico. "Essa mancha esbranquiçada [na água] que parece uma nata são resíduos de sabão e produtos de limpeza, típicos de esgoto doméstico", explicou. Segundo ela, a contaminação não se limita à água, entrou para dentro do solo, causando degradação e perda do bioma natural.
Laudo técnico acusa dano ambiental grave
O Laudo Técnico de Constatação de Poluição Hídrica, concluído em 13 de fevereiro de 2026, apontou que os corpos hídricos do Parque do Sabiá estão sendo utilizados de forma irregular como receptores de esgoto. O documento afirma que não se trata de evento natural, mas sim de falha infraestrutural ou lançamento clandestino, exigindo intervenção imediata.
Entre os principais sinais observados estão:
- Odor intenso de sulfeto de hidrogênio, semelhante a 'ovo podre';
- Eutrofização acelerada, com espuma e nata na superfície;
- Risco à fauna aquática, pela redução do oxigênio dissolvido.
O relatório enquadra a situação nos dispositivos da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/98), especialmente no artigo 54, que trata da poluição em níveis capazes de causar danos à saúde humana, mortalidade de animais ou destruição significativa da flora.
Ministério Público acompanha caso de perto
O promotor Breno Lintz, responsável pelo inquérito, afirmou que perícias ainda serão realizadas por órgãos estaduais para identificar os pontos de degradação. "Solicitamos uma perícia e aguardamos o resultado para dar prosseguimento às medidas. A partir da identificação, o MP busca corrigir emissários, captações de água pluvial e verificar se há esgoto sendo lançado na rede de drenagem", explicou.
Respostas das autoridades envolvidas
O diretor-geral da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), Edson Zanatta, responsável pela administração do parque, disse que atua há mais de sete anos na gestão e que vazamentos como esse ocorrem "pontualmente", mas sem causar contaminação. Segundo ele, análises da água são feitas de forma recorrente e, quando há irregularidades, o Dmae é acionado para resolver imediatamente o problema.
"O pessoal pode ficar tranquilo, o parque tem conforto, qualidade, segurança, e nós estamos atentos a tudo. Está sanado esse problema", afirmou.
Após a reportagem da TV Integração, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informou na terça-feira (17) que identificou vazamentos indevidos da rede de esgoto para a rede de drenagem em pontos da cidade, em fevereiro, e que os resíduos chegaram a descer para parte da represa artificial do Parque do Sabiá.
Em nota oficial, o Dmae destacou que as ligações cruzadas ocorrem quando há conexão inadequada entre sistemas distintos, como nos casos em que esgoto sanitário é lançado na rede de drenagem pluvial, situação que pode gerar impactos operacionais e ambientais. A autarquia reforçou que o trabalho de monitoramento e inspeção permanecerá contínuo em todos os setores da cidade.



