Mangue-maçã asiático ameaça biodiversidade em Cubatão e mobiliza órgãos ambientais
Mangue-maçã asiático ameaça biodiversidade em Cubatão

Mangue-maçã asiático ameaça biodiversidade em Cubatão e mobiliza órgãos ambientais

Uma espécie de árvore exótica tem despertado a atenção de especialistas ambientais após sua descoberta no município de Cubatão, no litoral de São Paulo. O mangue-maçã, cientificamente conhecido como Sonneratia apetala, é originário do sudeste asiático e representa uma séria ameaça à biodiversidade e ao funcionamento dos ecossistemas brasileiros. Para conter um efeito potencialmente desastroso, a Fundação Florestal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estão empenhados em erradicar a planta do território nacional.

Origem e características da espécie invasora

Conforme explicou Laís Zayas, responsável pelo setor de manguezais da Fundação Florestal, o mangue-maçã é uma planta de crescimento acelerado que pode alcançar até 15 metros de altura. "Trata-se de uma espécie com elevado potencial reprodutivo, produzindo frutos que contêm dezenas de sementes", destacou a especialista. Essas características conferem à árvore uma alta capacidade de estabelecimento e adaptação nos manguezais brasileiros, o que a classifica como uma espécie exótica invasora.

Como a planta chegou ao Brasil

O primeiro registro do mangue-maçã no Brasil ocorreu em 2022, no estuário de Cubatão, marcando também a primeira aparição documentada em toda a América do Sul. O biólogo Edmar Hatamura, que descobriu a espécie durante um projeto de restauração de manguezais degradados, sugeriu que a introdução pode ter acontecido por meio da água de lastro de navios provenientes da China. "O tráfego entre os portos de Santos e Shenzhen, na China, é muito intenso, principalmente devido à exportação de minério de ferro e soja", explicou Hatamura.

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Riscos para o ecossistema local

Observações de campo indicam que os indivíduos de mangue-maçã tendem a superar as espécies nativas em altura e diâmetro do tronco, o que lhes confere uma vantagem competitiva na ocupação de espaço e na disputa por nutrientes. Além disso, a elevada produção de sementes favorece sua rápida expansão. "É, por si só, um cenário crítico, especialmente considerando que os manguezais do sudeste brasileiro são naturalmente estruturados por um número reduzido de espécies arbóreas", alertou Laís Zayas. A substituição dessas espécies nativas pode comprometer a estrutura do bosque e desencadear efeitos em cascata sobre a biodiversidade associada e a cadeia trófica.

Estratégias de erradicação e mapeamento

O Ibama afirmou que o cenário atual ainda permite a erradicação da espécie, com base no princípio de "Detecção Precoce e Resposta Rápida". As ações envolvem:

  • Mapeamento das áreas de ocorrência e identificação dos indivíduos pelo Ibama.
  • Contratação de empresa especializada para a retirada da espécie pela Fundação Florestal.
  • Estudos da Esalq/USP para padronização da identificação por imagem, visando a detecção precoce em outras áreas litorâneas.

O mapeamento aéreo combina sensoriamento remoto e validação em campo, com o Ibama planejando ampliar a cobertura para aproximadamente 300 hectares usando drones.

Método de remoção e resultados alcançados

Até o momento, mais de 700 indivíduos adultos foram removidos do estuário de Cubatão. O método adotado respeita a dinâmica do ecossistema: os especialistas realizam o corte raso dos indivíduos adultos e cobrem os tocos com a própria lama do manguezal, sem utilizar herbicidas ou produtos químicos. "Sempre que possível, evita-se a intervenção durante o período de frutificação. Quando isso não é viável, realiza-se a coleta manual dos frutos para impedir a dispersão de sementes", explicou Laís Zayas.

A articulação entre órgãos ambientais e pesquisadores continua intensa para garantir que o mangue-maçã não se estabeleça permanentemente no Brasil, protegendo assim a rica biodiversidade dos manguezais brasileiros.

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